segunda-feira, maio 07, 2007

Sosseguem os críticos do Expresso. Afinal de contas este é um jornal light. Sem grandes adiposidades. Quando comparado com a edição de domingo do New York Times. Um sem número de suplementos. De cadernos publicitários. Adendas. É um jornal ao quilo. Onde se fala de tudo e de nada. Como sobre a justiça ou injustiça das contas de restaurantes partilhadas, em que uns pagam pelas excentricidades de poucos! E em que sociólogos e matemáticos debatem como é mais fácil manter as contas finais sob controlo se a festa tiver menos de 10 compinchas... É o pragmatismo americano no seu extremo...

domingo, maio 06, 2007

Um juiz americano (Washington) processou uma pequena lavandaria. Por um par de calças. Que teriam estado perdidas durante 3-4 dias. Faziam parte dum fato de 1000 dólares. Os desgraçados dos coreanos têm agora que lidar com um pedido de indemnização que ronda os 65 milhões de dólares. Claro que há 2 anos que não têm sossego e ponderam regressar à Coreia. Lá se vai o sonho americano por água abaixo. Por causa dum louco. Há movimentos cívicos de apoio aos infelizes. E que querem destituir o juiz. Valha-nos isso... Se ele for destituído pode sempre apelar ao Supremo Tribunal de Justiça português. Na sua aleatoriedade ainda ganhava a lotaria.

Prémio Podiam Perder os Dois?


Ganhará provavelmente ele. Ela é muito fraca. Mas não consigo esquecer as declarações de extrema direita dele, enquanto ministro do Interior. Ele será mais Liberal. Ela adepta do modelo francês que paralisou a França e a Europa com um Estado social asfixiante. Basta ver a percentagem do orçamento europeu que vai para subsidiar a agricultura e, particularmente, os agricultores franceses*.


*Lembrando que a ausência desses subsídios para produzir (ou não produzir) seria uma das medidas mais revolucionárias para permitir a entrada de produtos agrícolas dos países em desenvolvimento. E levar a um crescimento da sua economia. E do resto, como é bom de ver... Mas isto de ser socialista ou liberal geralmente é só para um dos lados!

quinta-feira, maio 03, 2007

Nada se perde. Tudo se transforma. Tudo serve de lucro. Se quiserem comprar o New York Times por metade do preço é só... esperar pelo dia seguinte. Já agora atrasa-se o calendário um dia e tudo fica bem. No final do mês faz a diferença.




Cão com camisola, gorro, enfeites, penteados vários, coleiras fashion já tinha visto. Agora com sapatos? Ou sandálias ou bota? Nem sei bem descrever. Só sei dizer que eram quatro...



Não foi em Portugal, Brasil ou numa qualquer república das bananas. Foi em Nova Iorque. Manhattan. Quase no seu epicentro. Em Times Square. Durante horas o apartamento 17G ficou sem luz. Foi cortada. Apesar dos milhares de dólares mensais. Alguém não pagou a conta. Senhorio ou imobiliária. E a imbecil desta última vem agora dizer que houve qualquer mal entendido e quer que paguemos uns 100 dólares. Por este mês. Como uma esmola. Aldrabões! AGARRA QUE É GATUNO!!!.

Já sabem. Se precisarem de carregar o telemóvel, o computador, manter a arca frigorífica a congelar em pleno, usar os desumidificadores, utilizar simultaneamente na potência máxima o ar condicionado e aquecimento central, usar o forno vazio, manter as lâmpadas sempre a carburar... venham cá ter. Já ofereci a energia do apartamento a todos os condóminos. Faltam agora umas centenas de metros de cabos para alimentar a rua...

quarta-feira, maio 02, 2007





3 exemplos do que pode ser qualidade de imagem numa RM 3T. Apreciem a definição da cartilagem (e a condromalácia rotuliana). Sim, o aparelho é Siemens! Semelhante ao do HSJ. Talvez a culpa seja dos doentes. Dos joelhos dos doentes. Da humidade. Do calor. Das antenas. Da falta de antenas. Dos gradientes. Dos artefactos. Dos protocolos. Dos médicos. Do campo magnético. Da sala. Do isolamento. Do hélio. Dos auxiliares. Do grego. Do físico. Da mesa. Da Universidade Independente. Do Carmona Rodrigues. Do Sócrates.



Para os melómanos ou nem por isso... Precisava dos Pogues de Whiskey in the Jar. A versão a solo... que não a mais difundida, cantada a duas vozes com os Dubliners. A Gerência agradece - ruihsj@gmail.com

terça-feira, maio 01, 2007



































Não há cá dia do trabalhador para ninguém, por estes lados do Atlântico. Trabalha-se e dá-se Graças a Deus por isso.


Há quase duas semanas tivemos piza à borla, para compensar as férias de alguns especialistas e o descanso pós-urgência de todos os internos. O mesmo trabalho a ser dividido por ninguém. Ou quase. Uma das auxiliares fez-se cara e tomou como indigesta uma dessas mesmas fatias, indo parar, em pouco tempo, aos cuidados intensivos. Um crise anafilática, imagine-se.

Na solidariedade tipicamente americana ninguém se levantou. Exaltou. Carpiu. Ou mexeu uma palha para ir visitar a desgraçada. Imagino que em Portugal fosse motivo para a debandada geral e visita, em rebanho, pesarosa e solidária à enfermaria... Nada disso... este episódio serviu para alguns comentários e troca de piadas, comparando-se o caso como algo digno de aparecer num episódio do Seinfeld.

Nesse mesmo dia, um pouco mais tarde, alguns médicos já tinham terminado o trabalho respectivo, antes de ir embora para enfrentar o trânsito de regresso a Brooklin ou New Jersey, fizeram horas extra, sem ninguém lhes ter pedido, para ajudar a eliminar a lista daquele que estava mais atrasado. Sem espalhafato, sem heroísmos ou recriminações, terminaram todos ao mesmo tempo.

Não sei ao que chamar solidariedade... Se aquela mais presa às emoções, às relações intra-pessoais, com conhecimento mais pormenorizado de cada um dos intervenientes. Mais “cigana”, tipicamente latina. Ou aquela atitude mais pragmática, mais profissional, menos fulanizada, seguramente mais “nórdica” dos americanos... Escolham vocês!

Em Junho do ano passado escrevia:
"Os Cunhas séniores preparam-se para descolar. Durante quase três semanas vão aterrar numa cidade de clima esquizofrénico, pululada de gente muitas vezes estranha, com uma oferta cultural extraordinária, com mais subidas e descidas por km quadrado que qualquer outra cidade que conheceram, com imensos cafés para descansar das passeatas e observar os autóctones (será que há mesmo locais ou em Frisco somos todos locais?). Vão poder espantar-se com as vistas da baía e da Golden Gate, andar de eléctrico, passear de bicicleta pelos parques... e, regra geral, deambular de uma forma completamente tranquila numa cidade que em termos de segurança não oferece qualquer risco.
Sejam bem-vindos... Cá os esperamos. Os brasileiros do grupo já suspiram pelo prometido bacalhau... Os portugueses pelo vinho lusitano.
"

Pois bem, estão cá outra vez. Saudosos como sempre. Novamente bem-vindos.

Provavelmente não vão criar o mesmo vínculo que estabeleceram com São Francisco, com a sua familiaridade, ambiente de bairro e com a generosidade dos amigos que fiz (emos) por aquelas bandas.

A passagem por estas margens vai ser mais efémera. Não menos viciante. Talvez esta cidade se queira assim mesmo. Como um risco de cometa. O fogacho de uma acendalha. A urgência dum parto. Pela sua intensidade. Pela sua violência. Pela sua dimensão. Pela mistura espantosa de excessos. De carnes, raças, credos, cheiros, cores, ruídos, sons, esperanças, desilusões, cansaços, expectativas. Por isso, insisto, se queira assim mesmo, consumida com moderação, sorvida em curtos tragos antes que nos consuma ela própria...

Aqui vão ser atropelados por muita outra coisa. Pela exuberância da diversidade, seja de gentes, de peles, de aromas e fedores... Pela grandiosidade e hospitalidade do Central Park. Pelo Lincoln Center. Pelos museus a outra escala. Pela agitação e rodopio febril dos fins de tarde. Pelas as vendas de rua, os táxis, as buzinas constantes, o ruído, a estridência injustificada e histérica das sirenes. Pela luminosidade pornográfica de Times Square. Pela sofisticação do Upper East Side e Soho. Pelo ambiente familiar de Chelsea e Greenwich Village. Pelo lixo e dejectos de milhões. Pela jactância da 5a avenida e edifícios Trump. Pelos empurrões e congestionamentos nas vias pedonais. Pela agressividade do consumo, da oferta, da publicidade. Pela exaltação do mais forte. Pela luta pela sobrevivência. Pela a imponência do betão, do ferro forjado, dos grandes volumes em pequenos espaços. Pela delicadeza do Chrysler. Pela impetuosidade sôfrega das milhares árvores e plantas que decidiram florescer em conjunto...















segunda-feira, abril 30, 2007

sábado, abril 28, 2007

Prémio Não Há Mal Que Sempre Dure


Citando o "A origem das espécies" de Francisco José Viegas:

Não vale a pena enumerar os erros deste jogo ou do técnico. Do primeiro ao último minuto, foi uma imperdoável e lamentável equipa de matraquilhos.
Nem com entrada em estágio e o blackout do Alien destes útlimos dias...
Mas às vezes é dificíl jogar com três equipas em campo. O FCP. O adversário. E aquele que joga sozinho... o das trivelas!

quarta-feira, abril 25, 2007

Premio O Tolo Anda 'a Solta


Tenho tentado aproveitar o Central Park ao máximo. Se tem que ser com gravata ou blazer seja. Já levei inclusivamente uma mantinha na mochila para me deitar na relva. É uma capacidade de previsão que desconhecia. Geralmente pensaria na manta depois de estar descomposto, no regresso para casa. Nunca no dia anterior, ou na manhã, antes de sair para o hospital. Ontem, no caminho através do luxo elegante do Upper East Side, passei por uma barbearia com ar antigo, como aquelas que no Porto têm ar bafiento, cadeiras antigas, onde o pó atinge todos os recantos e é apenas espanado pelo tremor parkinsónico de funcionários cristalizados no tempo. Aqui o aspecto era essencialmente o mesmo. Só que estava cheia, com fila de espera e mostrava orgulhosamente fotografias autografadas e com dedicatória para o Jose (fiquei sem saber se com ou sem acento) do Woody Allen, Bill Murray, entre outros.

Nesse curto trajecto cruzando a Lexington, a Park e a 5a avenidas deparei com mais polícias do que alguma vez tinha visto. Eram grades, motas, carros, jipes, reboques. E claro, metros e metros de polícias. Fardados e por fardar. Na sua maioria com ar sério, de poucos amigos (não é que os amigos sejam pouco sérios...). Este espalhafatoso dispositivo de guerra entrava pelo Central Park adentro. Esqueci-me dele depois até ser surpreendido pelo estardalhaço do voo rasante de três enormes helicópteros militares, acompanhados à distância por caças e mais helicópteros.

Como disse um polícia para mim, quando parei numa esquina a tentar perceber o que se passava, it’s just the President. Seria mais adequado dizer it’s just this President. Mas aí teríamos que entrar noutras considerações filosóficas. Como questionar quem protegiam os polícias de quem? Não somos nós todos que temos que ser protegidos deste louco? Como anda esta marioneta ou caricatura de político ainda à solta?


Sim, Zé Miguel. É um Vieira da Silva. Não, não consta que seja transacionável.


Tentei ser simpático. Cortês. Será que foi o café que se inquietou? O copo tremeu? Um espírito dos elevadores? Foi o suspiro de um dos vizinhos de viagem? Terá sido por contrariar a minha natureza? Ou foi a minha inevitável tendência para ser desastrado? Azarado? Distraído?

Levanto-me quase sempre primeiro que a minha colega de apartamento. Desvantagens de quem trabalha mais longe e tem reuniões mais cedo. Que não ter que fazer (ou desfazer) a barba e ajeitar o nó à gravata...

Antes de disparar para o hospital, passo no vigésimo nono piso. Para engolir uma bagel, roubar uma peça de fruta. E acordar verdadeiramente com meio litro de café. Que vou sorvendo pelo elevador, passeios e metro. Tudo cronometrado. Tudo ao segundo.
Hoje como a reunião foi cancelada dormi um pouco mais. E com uma folga nos minutos do relógio, decidi ser magnânime e enchi mais um copo de café e tostei uma Bagel. Para a Joana que ainda dormia.

Pois bem, a bondade foi demais. Dir-se-ia mesmo que transbordou. Entornou. No elevador. Nas calças da pessoa ao lado. Foi café. Foi Bagel. Foi adoçante. Foi tudo. Só ficou a vergonha. E a desculpa embaraçada... É o que dá ser simpático e levar o pequeno almoço a alguém. As outras pessoas sorriram, que aquela hora da manhã e o caso eram impróprios para grandes risos.

Ficou falsamente aliviada a mulher da calça manchada pois, naqueles instantes, terá sido a única a não reparar que o meu excesso de bondade tinha-a mesmo atingido...

Prémio Só Agora é que Descobriram?

É inquestionável. Já ando a pregar há algum tempo. Mas fica agora vertido em papel. Não é lacrado. Mas é ciência. Que não Ciência, pois não é peer-reviewed. Mas também ultrapassa a secção de ciência do 24 Horas ou Correio da Manhã. É na Scientific American. Onde Einstein e o Watson e Crick explicaram os seus trabalhos.


Na edição de Maio, deste ano... Está lá. Na primeira página. Manchete... Este blog torna-se, finalmente, uma Instituição!!!

Prémio Era Uma Ressonância de Duas Assoalhadas, Se Faz Favor

Quando questionado sobre o pequeno número exames efectuados em ressonâncias de campo aberto, quando comparado com outros estados americanos, um dos especialistas saiu-se com a justificação, prestem atenção:
- É natural que assim seja, uma vez que em Nova Iorque, dados os apartamentos pequenos e as divisões exíguas, as pessoas estão melhor adaptadas à claustrofobia dos magnetes.
.
O que diriam os habitantes de Tóquio. Se calhar tinham crises de Agorofobia nas salas de TC ou RM de alto campo!

terça-feira, abril 24, 2007

Se perguntasse aos residentes de cá pelas tardes de estudo, pelos excedentes, pela troca de tardes na urgência por tardes livres, pelo grupo de estudo nas manhãs do serviço, teria várias hipóteses de resposta:
1. Desconfiavam que estava louco
2. Suspeitavam que não teriam percebido o inglês
3. Organizariam uma manifestação à porta do hospital
4. Pediriam um visto de residência permanente em Portugal
5. Começavam a gritar com o chefe dos internos


Por essas e outras razões não pergunto. Nem comento...

Um seria apenas aberracao. Dois passa a ser moda ou embirracao. Sera' dos calores da Primavera? Sera' tendencia de importacao ou para exportacao? Homens de fato e gravata, todos fashion, todos cool, com calca arregacada e sapato classico, sem meias..

Confesso a minha incapacidade. Certifico a minha incompetencia. Promulgo a ignorancia. Atesto e assino por minha honra. Durante estes dias tentei colocar musica no blog. Primeiro ate' deu, mas a largura de banda foi ultrapassada. Inscrevi-me em sites para colocar os ficheiros mp3. Mas depois os links nao funcionam. Tentei "embeber" alguns leitores mp3, mas nada... Terei que voltar ao velhinho youtube. Finjo que e' video, e toca a girar. Musica apenas. Afinal, a trapaca nao sera' a inteligencia dos ignorantes?

segunda-feira, abril 23, 2007

Desisto. Já perdi muitas horas de sono. Por causa deste maldito blogger. É a Google a transfigurar-se em Microsoft. A maldição dos portentados... Aparece, desaparece imagem do título. Toca, deixa de tocar música. Desisto. A noita já vai longa. Ou melhor será curta.

E na tentativa de ser perfeccionista, não sei o que aconteceu. O bardo Bird eclipsou-se. A imagem sumiu de vez. Já nem sei que diga ou que escreva.

PS. Salva-se a máquina fotográfica que melhorou dos seus humores passageiros.

domingo, abril 22, 2007










A Primavera veio tão furiosa que me levou o autofocus da máquina... Só me apetece maldizer, disparatar e sacar de todo o arsenal de palavrões típicos de um tripeiro... Que fazer com um máquina que desaprendeu a focar?

Ficam com o Scythian Empires. Outra vez Andrew Bird. Para os mais susceptíveis, podem sempre desligar. Carregar no Stop. Fica ao vosso critério. Viva o livre arbítrio...
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Como é bom de ver o blog está em obras. Mudanças de estética, que não de rumo. De uma forma lenta pois não sei linguagem html. Está longe de estar como gosto. Mas também não ficará nunca, por essas condicionantes do código binário feito de zeros e uns. Deixo-vos música. Hoje ficam com Andrew Bird. Enjoy it, que eu vou para as ruas, tentar sorver um pouco mais deste melting pot, ou simplesmente adormecer num canto anónimo do Central Park. Enquanto abro uma cerveja, para comemorar a última vitória. Cheers...

Os deuses ou os feiticeiros deliberaram. E esforçaram-se. Limparam Nova Iorque com as chuvadas da semana passada. Testaram a paciência e o espírito de sacrifício dos demais com o frio, a neve, o vento cortante. Impuseram um manto de nevoeiro pesado e um cinzento deprimente. Mas os deuses sejam eles monoteístas, politeístas, agnósticos, pagãos ou ateus têm muita força. E são orgulhosos. Todo este passado opressivo recente, zangado, serviu os seus propósitos. De reforçar a crença nos seus poderes, desmandos e caprichos. E assim, neste sábado de 21 de Abril de 2007, as divindades de um qualquer Olimpo deliberaram. E intimaram as hordas de bárbaros para a chegada da Primavera. Numa Nova Iorque de cara lavada. Em que as árvores tristonhas e despidas dos últimos meses perceberem que tinham de se engalanar. E as mais vaidosas delas desataram a florir com uma força despudorada. O céu tornou-se azul, com esparsas nuvens. As suficientes para darmos o valor a esta dádiva do bom tempo, do calor. Nova Iorque veio para a rua. Os carrinhos de bebé foram convocados. Famílias inteiras remexeram os jardins. Tacos de basebol, bolas, patins em linha, luvas, brinquedos vários saíram dos baús. As mantas vieram das arcas dos arrumos. As sandálias, as chinelas. Os livros tornaram-se mais aprazíveis. As cestas das merendas rangeram de novo. A primavera surgiu em força hoje. Luminosa. Alegre. Refulgente. E trouxe as mini-saias consigo. Os ombros e os decotes. As sandálias, os calções. Caras bonitas e sorridentes. Foi possível cheirar novamente a relva. Deitar. Olhar o sol de frente. As árvores voltaram a ter sombra, embevecidas que estavam com as cabriolas dos esquilos, os saracoteados da passarada e os primeiros passos trôpegos da miudagem. Hoje Nova Iorque foi menos aquela cidade dos velhos que tenho visto. Uma cidade triste e marcada pelos cachecóis, guarda-chuvas e bengalas. Não. Hoje foi a revolta dos mais pequenos. A filharada veio para a rua e trouxe os pais atrás. Os casais novatos puderam mostrar os rebentos aos amigos. À família. Os cães passearam os donos. Voltou a namorar-se. Regressaram as caminhadas e fotografias. Os gelados. Voltaram os vendedores do rua, hoje com música árabe aos berros. Vieram os artistas de passeio, as inevitáveis flautas dos andes, os vendedores de banha da cobra. Os restaurantes invadiram as ruas. As esplanadas apareceram não se sabe de onde. Os óculos de sol e o inevitáveis bonés passaram finalmente a fazer sentido.

Pude ler um livro ao sol. Primeiro deitado na relva do Central Park. Depois, mais tarde na companhia dum “cafe latte” e duma Anchor Steam num banco dum café. Daqueles bancos de jardim, virados para a rua. Por duas horas vi desfilar as gentes do Upper West Side. Gente de todas as cores, todas as raças, todos os credos e condição social. Vestida de inúmeras formas, com caminhares vários, estado de espírito diverso, posturas díspares. Mas todas elas entregues ao capricho dos Deuses. E, no fundo, reconhecidas pelo “Seu” bom humor passageiro.

sexta-feira, abril 20, 2007

Uma das melhores prendas que posso dar. O link para as Conferências TED. Umas conferências que se realizam em Monterey, perto de São Francisco. Com gente conhecida por ser brilhante, inteligente e inovadora. Geralmente com conferências igualmente brilhantes e, traduzindo à letra uma palavra muito inglesa, inspiradoras. Desfrutem. Percam ou ganhem tempo. Podem começar com a do Bono, dos U2. Sei que é uma escolha que pode ser facilmente atacada e motivo de gozo. Mas estou seguro do que recomendo... E existem muitas outras.

Aproveitem. Desfrutem. O conhecimento e o acesso à informação é agora global. Deixamos de estar dependentes da pequena cultura subsidiada pelos caciques camarários. Podemos usar o rato. E a cabeça. Para conhecer mundo. E abrir as cabeças.

(estou meio padreco, hoje, com tendências evangélicas. Quem pretendo eu catequisar? Desculpem).