quarta-feira, abril 04, 2007
segunda-feira, abril 02, 2007
Andei quase duas horas. Com sacola ao ombro. Com 6kg no mínimo. Computador. Livro de estudo. O último romance de Mia Couto. Ipod. E câmara iSight, no caso de estacionar num café com nete poder conversar com Valbom... A mania das grandezas. O tal pensar à merceeiro. A ambição desmedida de esticar o tempo... que dá apenas para escrever estes textos! Ou o medo estúpido de não decidir o que deixar em casa.
Um pesadelo. Errei perdido à procura de Tribeca. Que julgava (e ainda julgo) estar a sudoeste do Soho. Mas qual Atlântida não encontrei nada. Só armazéns, com bom aspecto, é certo, e raras referências a Tribeca, sob a forma de anúncios de novos empreendimentos de habitação, uns health club luxuoso e spas. Ainda tentei recorrer ao metro mas mais não fiz que ganhar quarteirões nas pernas. E dores musculares na cintura escapular e zonas vizinhas. Acabei por vir ter a Greenwich Village. Parei num bonito café, onde escrevo agora. Nome engraçado. Once upon a tart. Decoração espartana, mas bonita. Bolos com bom aspecto. Café e pastelaria servida em baixela de plástico!
Fazendo um resumo, os quatro quilos do livro não saíram da mochila. O computador abriu-se e fechou-se. O romance serviu entre duas estações de metro... Vale o banho de imersão no regresso, independentemente do politicamente correcto.
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Rui Cunha
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9:27 p.m.
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Nos hospitais americanos, durante a leitura dos diferentes exames dos vários doentes conversa-se resumidamente sobre algum tema. Conversa fiada. Cheap-talk. Na maioria das vezes sobre o que se fez no fim de semana. Ou o que se vai fazer. São perguntas ensaiadas pela enésima vez. De circunstância. Era assim na Califórnia e é assim na costa Leste. A diferença maior é que por estas bandas, dentro destas perguntas quase retóricas, está também incluída a religião. Cada um a perguntar ao outro, o que celebra a religião respectiva, quando festeja o quê, como festeja quando, o significado e a importância do quê. Questionam-se as especificidades de cada religião. O valor de cada nome. Se um é sefardita, se o outro é ortodoxo, se é judeu descendente de egípcios, se está casado com um árabe...
No “Serviço” perguntaram-se se em Portugal se falava do "Passover" ou se vinha referido nos jornais (1)!
Estranharam quando lhes respondi que não. Que quase não se fala de religião em Portugal. E muito menos em conversa de circunstância. E que em mais nenhum outro sítio tinha sentido tanto a presença das religiões no quotidiano das pessoas como aqui. Que nós, afinal de contas os ironicamente infiéis, optávamos preferencialmente por falar de futebol. Poderia ter acrescentado que também adoramos dizer mal do chefe, contestar o governo ou criticar o povo portugûes, o outro (2). Mas já os tinha chocado quanto baste... Perguntaram se não falaríamos por ser assunto tabu. Não, nem isso. Não falamos porque não falamos. Temos todos uma costela apostólica romana. Que não cultivamos mas também não questionamos...
(1) Não será por acaso que na planificação do serviço não há qualquer judeu envolvido nas actividades clínicas na próxima semana.
(2) Nem de propósito, o excelente post do JPP no Abrupto sobre o que ele chama o salazarismo difuso e o politicamente correcto. Fica o link e um extracto:Muita gente "politicamente correcta" pensava que este "salazarismo" era conversa de taxistas, sem perceber que também era conversa deles. Dêem-lhes um político severo, austero, sacrificado, falando contra a política e os políticos e esse político será popular entre as mesas de café, as cartas dos reformados ao Correio da Manhã contra os "ladrões", os ouvintes genuínos do Fórum da TSF, e as mil e uma expressões populares da demagogia entre "nós" (os trabalhadores esforçados que nunca meteram uma baixa fraudulenta, nunca beneficiaram duma cunha, nunca quiseram fazer uma marquise, nunca receberam qualquer dinheiro sem pagar factura por aqueles trabalhos na canalização, etc., etc.) e "eles" (os ladrões dos políticos).
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Rui Cunha
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9:13 p.m.
Prémio Mas Ele Não Pode Ir Para a Madeira?
A desilusão da semana foi o concerto dos Arcade Fire. Ou melhor. O não concerto dos Arcade Fire. Que ficou adiado. Para as calendas. Eles vão actuar 3 dias em Nova Iorque e os bilhetes começaram a ser vendidos online às 10 da manhã de sexta. Duas ou três horas depois... Nada. Só encontrava bilhetes a 4 ou 5 vezes o preço tabelado. Por estes lados, concluo, a roubalheira da candonga é oficial. É generalizada. E está online!
Por outro lado, quando procuro que concertos vão decorrer e quando... fico sempre desiludido. Todos aqueles grupos que procuro vão tocar nos próximos meses... em São Francisco.
E alguns irão tocar Teatro Circo. Em Braga. Como o Andrew Bird, a Joanna Newsom e o Bonnie Prince Billy. O Porto está a cair a pique como referência (ironia) cultural do norte do país. À atenção de quem votou Rui Rio. De quem gosta do Rui Rio. E de quem gosta que se faça política à Rui Rio. Com o caderno preto de linhas, à merceeiro. Sem ter qualquer perspectiva de futuro. É o deve e haver. O balanço. O vender a fiado. Na ausência de cultura. Na ausência de política...
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Rui Cunha
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12:24 a.m.
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domingo, abril 01, 2007
Prémio Vai pôr gel para a tua aldeia...
Para quem teve o pesadelo que ia levar 3 secos, não foi um mau resultado... Mesmo depois de ter estado a ganhar por um zero, sofrer um golo de auto-golo e da luta livre do Simão... Parece que o árbitro também sonhou o mesmo que eu! E que só lhe faltou entrar às canelas do Anderson e do Quaresma.
Está tudo como dantes!!!
Legenda - Dentro da área. Último minuto do último Porto-Sporting. Com tranquilidade.
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Rui Cunha
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5:18 p.m.
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sábado, março 31, 2007
Esta semana parodiei um pouco a desorganização do serviço. Não se confunda isso com falta de qualidade. Que é altíssima. Tem vários especialistas que são do top em diferentes áreas. E estão sobretudo rotinados para ensinar os mais novos. A título de exemplo, tive um dos attendees a "perder" mais de uma hora com um dos residentes. A dissecar toda a anatomia dum tornozelo. Lateral. Medial. Compartimento anterior. Posterior. Seio do tarso. Ligamentos. Pontos a reter. Formas de sistematizar a observação. Formas de relatar. Que sequências são importantes para que estrutura anatómica. Que sequências são importantes para documentar patologia.
A minha surpresa é que não tem a organização "escandinava" de São Francisco. São mais à nossa imagem. Têm mais problemas informáticos. Os computadores também sabem o que é bloquear. O sistema de teaching files deles é anacrónico (e penoso para mim que estou agora ligado a ele). O reconhecimento de voz deixa-os à beira de um ataque de nervos (mas quem passa as torturas da qualidade de alguns relatórios transcritos em Portugal...). O sistema de videoconferência por vezes não arranca, deixando conferências penduradas...
É também comum ver o gozo que relatar lhes dá. O vigor com que "atacam" um caso mais difícil. Como o discutem nas terríveis reunião de serviço das 7 da manhã, como telefonam uns aos outros para tirar dúvidas, para mostrar uma imagem. Como "googlam" uma dúvida. Fazem portanto parte de um hospital universitário por excelência. E de excelência.
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Rui Cunha
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1:54 p.m.
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quinta-feira, março 29, 2007
Prémio Teclado Gorduroso
Por que razão o americano que trabalha não pode dar-se ao luxo de almoçar longe do local de trabalho? No nosso caso, longe da sala escura, da consola e do rato do computador? Por que razão ou trazem o farnel de casa, a sanduíche da loja da esquina, o gaspacho ou a comida do dia anterior numa lunch-box por aquecer e com mau aspecto e têm que comer no mesmo sítio em que passam o dia todo?
Saberão o que é intervalo? O que é descansar? O que é relaxar? Ainda vou tentar ensinar-lhe o que é isso e o que é a siesta!!!
Para piorar o mau aspecto daquele que comem, onde comem, com a velocidade que comem, a fazer o fazem enquanto comem, está mesmo o cheiro. Péssimo. Sempre ao mesmo Com um toque a tomate ácido. E a comida oriental. E a comida italiana rasca. E com um traço de comida para cão. Ou pior. Como ainda hoje... Penso a Patroa e a Clarinha têm melhor sorte!!!
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Rui Cunha
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6:48 p.m.
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Prémio Brancas PF
Mais do que o dólar, a NBA, a Estátua da Liberdade, o Empire State Buildin, a Bagel, o Mickey Mouse, o Super-Homem, a White and Stripes, o McDonalds, o Starbucks, a CNN, a GAP ou Levis, o churrasco, Wall Street, as Pretzel, Holywood, o Marlboro Man, e o Michael Jordan, sim mais do que isso tudo, a verdadeira “instituição” americana, que une velhos e novos, pobres e ricos, cultos e analfabetos, brancas, amarelhos, orientais, pretos ou hispânicos é a sapatilha. Qualquer que ela seja. Sneakers, all-star, jogging, basquetebol. Mas sobretudo a tipo ténis. Branca, de preferência.
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Rui Cunha
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6:45 p.m.
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Prémio Instituto Ricardo Jorge
Nunca vi tanta gente com doenças neuromusculares, marcha espástica, displasias várias, facies estranhos, dismorfias... Tenho uma teoria que ficará por provar. Mas o facto de haver tantas populações “ortodoxas”, muitas delas com acasalamento entre si, condiciona marcado inbreeding ou endogamia. Isto é, o pool genético encontra-se fechado nele próprio e as doenças hereditárias esquisitas e raríssimas acabam por vir ao de cima. Nova Iorque deve ser então o paraíso dos geneticistas e dos especialistas em displasias ósseas e síndromes polimalformativos.
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Rui Cunha
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6:44 p.m.
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Prémio Goodfellas
Sotaque de Brooklin, como que comendo os erres... Afinal o sotaque dos mafiosos dos filmes de Scorcese vem mais de Brooklin que das potenciais origens italianas. O chefe cá do Hospital for Joint Diseases, encarna a figura de judeu nascida e criada em Brooklin, Long Island, com pronúncia tão marcada que, à primeira,confundi com problemas de dicção e o rotulei de fanhoso. Suspeitei que tivesse tido uma fenda palatina. Mea culpa... Foi completamente ao lado. É mesmo fala local. Cerrada. Como quem combina entre dentes quando é que vai ser o próximo assalto. Brooklyn accent. Marcado. Ao ponto dos próprios residentes não perceberem o que diz...
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Rui Cunha
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6:42 p.m.
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Prémio Já Só Falta a Bragaparques
Conferências canceladas. Sistemas de reconhecimento de voz anacrónicos, computador ruidoso que parece que vai levantar voo, relatórios em atraso, informação clínica pouco detalhada. Funcionários que desatam aos berros de um lado do serviço para o outro para perguntar sobre este ou aquele doente. Acession numbers que não funcionam. Doentes à espera na consulta. Relatórios manuscritos enviados por fax. Claro que estou a parodiar e a escolher pequenas excepções que fazem, às vezes, deste pequeno rectângulo perdido no sul de Manhattan algo de parecido com o Hospital de Asprela.
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Rui Cunha
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6:40 p.m.
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quarta-feira, março 28, 2007
Shabbat - Wikipedia, the free encyclopedia
Shabbat - Wikipedia, the free encyclopedia: "Shabbat (Hebrew: שבת, shabbāt, 'rest'; Shabbos or Shabbes in Ashkenazic pronunciation), is the weekly day of rest in Judaism. It is observed, from before sundown on Friday until after nightfall on Saturday, by many Jewish people with varying degrees of involvement in Judaism."
É engraçado que sendo NY muitas vezes vista como uma das "capitais do mundo livre", seja também dos locais onde a influência das religiões se faça sentir duma forma tão palpável e ubíqua. E esta presença constante traduz muitas vezes as tendências mais ortodoxas e mais reaccionárias de cada uma delas. O exemplo mais característico são os judeus. Vestidos de preto. A rigor. Com o “chapéu” preto. O cabelo rapado atrás. E os cachos de caracóis de lado. Já os apanhei encostados a um canto do hospital, com umas fitas enroladas na cabeça e no braço e que se desprendia de um paralelepípedo qual pisa-papéis, colocado como aquelas lanternas usadas na testa (região frontal, para o radiologista), mexendo-se em movimentos pendulares ora anteriores, ora laterais. Depois sentando-se. Debruçando-se. Orando. Rezando. Sussurrando. Estremendendo. Pegando no livrito de orações (a Tora?). E depois novamente o estremecimento.
Outros que não dispensam o Yarmulke ou Kippa, um pequeno capuz que tapará a careca dos menos felizes, que eles prendem com um gancho e que os leva a pender a cabeça como se não aguentassem o peso... Pode parecer brincadeira, mas muitas vezes adivinho naqueles que vejo de frente, se este ou aquele personagem traz ou não o preservativo pela forma como parece carregar o mundo na cabeça ou às costas.
Outro exemplo é o caso do libanês do meu serviço, que sendo árabe, transporta um nome grego, que deriva do responsável da congregação cristã ortodoxa ao qual o tio pertence, ou pertencia, não percebi muito bem!
Mesmo na Net já encontrei resquícios reliosos em críticas a este ou aquele café, ora por que um é anti-palestiniano, o outro é pró-israelita... Entendam-se!!!
Até agora, e talvez por que estou num hospital nova-iorquino, quase todos os nomes que encontro são judeus. São os Glazer, os Goldberd, os Rosenberg, os Ginsberg, os Schweitzer,os Mechlin, os Cohen, osAmis, os Naidich... São frequentes as conversas em hebraico.
Por isso transcrevi o que diz a Wikipedia do Sabbath, o feriado semanal judaico, levado à risca por muitos. Nada de trabalho. Nada de máquinas. Jejum à risca. Nada de sexo. Nada de álcool.
No hospital da Universidade de Nova Iorque (NYU) os elevadores “respeitam” a religiosidade destas gentes. Por isso, entre o anoitecer de sexta e a tarde de sábado, entram em regime automático. Abrem as portas no rés do chão e primeiro piso e disparam até ao 16º. Daí retornam, aos bochechos, parando em todas as estações e apeadeiros. Sim. Em todos os pisos. Para que o crente possa utilizar o elevador sem pecar. Sem ter que pressionar o botão. Basta dar um passo.
Se isto não é prestar uma rasteira aos Deuses, não sei o que é...
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Rui Cunha
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12:03 a.m.
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terça-feira, março 27, 2007
O outro pé da Sereia de Mia Couto
Quem acha doce a terra natal ainda é um tenro principiante;
aquele para quem toda a terra é natal já é forte;
mas é perfeito aquele para quem o mundo inteiro é lugar estrangeiro.
a alma tenra fixou o seu amor num único ponto do mundo;
a pessoa forte estendeu o seu amor a todos os lugares;
o homem perfeito extinguiu o seu.
Hudo de St. Vitor - Monge saxão do século XII
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Rui Cunha
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12:46 a.m.
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segunda-feira, março 26, 2007
Prémio Sem Comentários

Podia escrever uma diatribe mal humorada e desgostosa. Podia... se o resultado não fosse tão ridículo. E ofensivo. Afinal de contas ainda estamos parados no tempo. Apesar dos telemóveis e da Internet. Já só falta o Benfica ficar campeão!
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Rui Cunha
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12:26 a.m.
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domingo, março 25, 2007
Prémio Victoria Secret

Para além do começo de dia com uma bagel com cream cheese, dum almoço celebrando uma sande de pesto e galinha irrepreensível, do jantar maravilhando-me com ensopado de veado num restaurante francês perdido num arrabalde de Chelsea, este sábado nova iorquino ficou ainda melhor composto com a visão ou a miragem do lanche... À minha frente encontrava-se um oriental gordo, efeminado, com aquelas t-shirts que se ajustam à forma da barrigona. Conversava histérico com uma rapariguinha de calça de ganga justa e All-Star branca. Era só uma das top das revistas, uma menina Victoria Secret, talvez um dos mais belos "exemplares " da beleza feminina... Sempre são razões para gostar mais de NY!
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Rui Cunha
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1:04 a.m.
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Estou prestes a vender-me. Ou melhor, já me vendi. Ao diabo. Passo a explicar...
Uma das cadeias americanas mais ubíquas é a Starbucks, rede de cafés mais ou menos anódinos, “empacotados”, normalizados, que pontuam muitas das esquinas americanas.
Acontece que em São Francisco havia anticorpos contra esta macdonalds dos expressos ou cappuccinos. Havia inclusive militância anti-Starbucks, vendendo-se T-shirts com dizeres, inclusive. E aceita-se perfeitamente.
Com a profusão de cafés locais giros, cada qual com os seus ritos específicos, a clientela definida, frequentados por tribos mais ou menos heterogéneas, estes cafés com alma serviam de ponto de encontro, local de trabalho, de relaxamento ou leitura. Reforço agora aquilo que já tinha escrito, com a sensação que os cafés de bairro, de esquina, com carácter, com temperamento, com virtudes e defeitos eram uma das mais valias de São Francisco. E poderia nomear uma série deles que me marcou, onde pude observar, conversar, estudar, escrever no blog, ler, rever artigos ou falar no Skype.
É verdade que ainda levo muito pouco tempo de Nova Iorque. Ainda não conheço nada. Tem sido trabalho-casa, casa-trabalho. E tenho andado mais pelo “centro” dos arranha-céus e das “quintas” avenidas.
Mas ainda não encontrei um café que me satisfizesse. E muito menos algum pelo qual me tenha enamorado. Primeiro porque quase não existe conceito de café. Existem cafés-restaurantes ou Starbucks. Ou aqueles outros também de bairro, mas parecendo corredores, em que as mesas estão apenas para justificar o espaço não ocupado pela montra ou pelo balcão.
Já para não falar na música. Não me lembro dum café em Frisco em que a música não fosse de excelente qualidade. Top-end. Por aqui tenho tido azar. Música excessivamente alta, não propriamente pimba, mas antes pop pindérica. São os cafés MTV...
Por isso hoje, depois dum brunch num restaurante giríssimo, numa boulangerie onde comemos das melhores sandes de pesto e galinha que é possível imaginar, e de andar a penar ao frio e chuva pelas ruas do Soho, à procura dum café onde pudesse abrir um computador, desisti e vendi-me. Ao Starbucks. E a uma música ranhosa.
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Rui Cunha
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12:33 a.m.
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sábado, março 24, 2007
Prémio Americanices
Americanices…
Dezenas de carros da polícia, com a parafernália luminosa no seu esplendor, em Times Square, todos aprumadinhos, paralelos, de esquina para o passeio, de um e do outro lado da rua. Polícias dentro e fora dos carros, confraternizando com os americanos orgulhosos e os turistas aparvalhados. Quando digo dezenas, não é por força de expressão. Nem mania das grandezas. Nunca tinha visto tanto “policial” junto. Segundo soube, não passou disso mesmo. Americanices. Exibição. Ou publicidade. Rotina. Da NYPD. Na hora da retirada, imitaram aquelas meninas da natação sincronizada. Sem aquele sorriso idiota, mas igual precisão. Carrinhos um a um, os deste lado para a direita, os outros para esquerda, em ritmo cronometrado.
Americanices II…
Há elevadores e elevadores. Este era americano em todo o seu esplendor. Um cromado sem mácula. Tamanho qb. Televisão. Ou computador. Ou híbrido. Com notícias gerais. Bolsa. Meteorologia. Ainda bem... Imaginem que desperdiçava os 20, 30 segundos que demorei a chegar ao 16º piso! Já para não falar no regresso à Terra...
Americanices III…
Na estação de metro de Times Square vi aquilo que poderia encontrar na medina de Meknes, numa aldeia perdida dos Andes ou num mercado do Sudoeste Asiático. Numa daquelas tabacarias manhosas, um empregado paquistanês, indiano ou do Bangladesh assistia um dos clientes no funcionamento de uma máquina bafienta e artesanal de plástico. Sim. Debaixo de terra, na estação de metro mais concorrida desta cidade de 10 milhões de habitantes, com milhares de pessoas a convergirem e divergirem por minuto, naquela encruzilhada de vias pedonais, acessos múltiplos a múltiplas linhas de metro, palco para artistas em projecto, acções de protesto, evangelizadores, pedintes e carteiristas, turistas em passo mais vagaroso e dissonante, em plena hora de ponta, quando o cansaço pesa já toneladas sobre milhares de rostos e ombros anónimos, um qualquer cidadão sul-americano encostava-se ao balcão da dita tabacaria, com uma máscara de oxigénio, fazendo ao mesmo tempo uma nebulização, enquanto assumia o papel de mirone e prestava-se, ele próprio, ao voyeurismo dum português sem câmara fotográfica.
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Rui Cunha
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2:31 p.m.
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quinta-feira, março 22, 2007
A temperatura pulou de 2 para 19º. E o vento gélido cessou. Tudo isto seriam óptimas notícias não fora o facto de acordar às 6 da manhã e demorar aproximadamente 45m a 1 hora em trânsito, o que me coloca num estado estuporoso, de anseio permanente por um sofá ou uma cama. Não há Soho, Central Park ou Tribeca para ninguém. Apenas o metro. Deixar a mochila à porta. Descalçar os sapatos. E dormir. Até já!
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Rui Cunha
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6:09 p.m.
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quarta-feira, março 21, 2007

É simples. Fica mais barato que o novo livro do Stoller, que custou os olhos da cara. E tem a vantagem de se merecer o purgatório, ganhar a inimizade da igreja de Bento XVI e ficar com o direito (vitalício, presumo) de não comungar. Ámen.
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Rui Cunha
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11:56 p.m.
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terça-feira, março 20, 2007
Prémio

Deambulei do hospital até Times Square. Foram aproximadamente quatro quilómetros e meio sem rumo. Ou melhor ia virando sempre para norte e para oeste mas duma forma pouco consistente. Apenas farejando as ruas. Seguia cores, pessoas, movimento, padrões. Com instinto. Só assim se justifica que, sem bússola, sem mapa, sem premeditação ou sentido de dever, ao acaso, ao calhas, à sorte ou por destino o tenha encontrado. Faz sentido então colocar a fotografia e, claro está, o vídeo que já vem dos tempos do antigo Alien.
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Rui Cunha
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11:31 p.m.
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Prémio O Próprio No País do Borat
O chefe teve hoje que interromper o trabalho para ir cortar o cabelo. Chegou depois a queixar-se que não havia qualquer cabeleireiro naquela área da cidade que não fosse do Uzbequistão. Enumerou rapidamente pelo menos meia dúzia deles. Mas engraçado é que não é são realmente uzbeques... Não. Pelos vistos são até velhos judeus russos, com passagem pelo país do Borat!
Mais o maior problema, para além da qualidade artística intrínseca do trabalho (isto já sou eu a meter a colher), é que todos eles optam por passar intensivamente (ou será ostensivamente?) música tradicional uzbeque, o que obrigou “O Próprio” a acrescentar um cocktail de medicamentos analgésicos à já clássica Coca-cola, para fazer face à enxaqueca.
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Rui Cunha
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11:15 p.m.
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Prémio É o Próprio II
Começa a beber diet coke às 7 da manhã (no mínimo!!!) e acompanha os casos bebericando mais ou menos a propósito... Segundo as estatísticas do próprio, atinge um máximo de 10 Diet Cokes/dia no Verão! Ainda estou para saber o que irá fazer do LBV que lhe trouxe. Não vem em lata, não é light, não está pasteurizado ou esterilizado, foge à padronização e escapa aos seus números ou percentagens.
Tudo se transforma estatística na sua boca.
Esta lesão tem 75% hipóteses de ser metástase enquanto aqueloutra que está mesmo ao lado tem 60%.Tudo tem critérios e está numerado. Há 6 articulações com menisco, 5 causas para edema de côndilo medial do fémur, 4 critérios descritos para estabelecer instabilidade da coluna cervical publicados em 1978 por Punjabi e qualquer coisa. O conhecimento enciclopédico é devastador. Vai pontuando os seus comentários com alguma nomina anatomica em francês, espanhol ou português.
Vai agora para Taipei durante cinco, seis dias, onde tem 6 prelecções. Irá prepará-las durante as 25 horas de voo, começando a primeira conferência de imediato... Provavelmente logo à saída do aeroporto. Sem descanso, sem hiato. Basta que lhe ponham um púlpito, como agora fazem os políticos nas suas conferências de imprensa, e providenciem um refill de coca-cola light.
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Rui Cunha
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7:51 p.m.
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segunda-feira, março 19, 2007
Prémio Falta Pouco para as Nações Unidas
Almocei com uma iraniana a viver na Bélgica, uma egípcia e um argentino judeu, a residir em Israel.
Só faltou a tradução simultânea, o sapato em cima da mesa e os motoristas à porta.
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Rui Cunha
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11:10 p.m.
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Prémio É o Próprio
Cheguei à Radiologia por volta das 7h20. Estava ainda vazia. Nem vislumbre da secretária. Um mal vestido, magricelas, aparece 10 minutos depois. Calça preta algo puída, de ganga, apesar da gravata, que lhe “caem pelo rabo abaixo”, de alguém que emagreceu recentemente (ou que as comprou faz tempo...). Sapatinhos pretos vulgo sneakers. Limita-se a disparar follow-me, quando pergunto pelo professor Schweitzer. É o próprio. E toca a segui-lo por lanços de uma escadaria interior ranhosa. Foram 6 pisos de passinhos pequenos, ou melhor saltinhos frenéticos.
Que bela maneira de começar o dia. A “sprintar” edifício abaixo, com mochila debaixo dum braço e casacos no outro, ainda a ressacar da falta de sono e café. Depois de 40-50 minutos a pé ou de metro.
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Rui Cunha
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11:07 p.m.
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Prémio O Hospital Não é um Cabeleireiro
Aviso no elevador:
Lembramos o staff que a informação clínica dos pacientes não deve ser discutida em público.Mas se não discutimos no corredor, no café, no elevador, à entrada ou saída da urgência, na sala de ecografia com o doente deitado, vamos discutir onde? Em reuniões entre as diferentes especialidades? Em consultas de grupo? Em conferências interdisciplinares? Lá se vai a piada de trabalhar no hospital!!!
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Rui Cunha
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11:03 p.m.
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domingo, março 18, 2007
Este domingo não teve grande história. Foi acordar tarde. Marcar um encontro para ver um apartamento. Esperar mais de uma hora por um agente imobiliário que não se dignou a aparecer. Partir em seguida para outra zona da cidade, onde tentei desforrar-me com uma caipirosca e uma quesadilla num café mexicano, com pinta, Café Frida. Também por isso, achámos, finalmente, um duplex engraçadíssimo. Mas tão ou mais caro que todos os outros.
Depois foi caminhar lentamente pelo Central Park, já só, entre os raios de sol e a neve, com o frio a massajar a face e um ruído que adoro, que não é mais do que ouvir os próprios passos pela neve... Seguiu-se a loja da Apple, o "Skypar" com os pais, preparar uma aula transcontinental, avançar umas páginas do último Paul Auster e recolher cedo, que amanhã o dia começa às 6h.
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Rui Cunha
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10:46 p.m.
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