quarta-feira, maio 31, 2006

Estive hoje numa apresentação de casos clínicos de tórax. Costumam demorar 50 minutos. Cada um dos residentes mais velhos tinha que descrever os achados e disparar os diagnósticos diferenciais. Até aí é tudo rotina... A diferença é que foram apresentados mais de 100 casos e nenhuma discussão ou conclusão para saber o resultado definitivo. Esperei desesperado, esfomeado, pelo fim, só para saber as respostas... E saí de mãos a abanar. Com algumas imagens na cabeça. Completamente entediado e com ar de "otário" por ter estado lá tanto tempo... Eu e o André... Ainda consegui gozar com a nossa própria figura, pois fomos os únicos que aguentaram até ao fim... Mas ele estava furioso...



Jantar de segunda-feira.
Feriado do Memorial Day... Homenagem aos mortos das guerras passadas e, by the way, nas futuras...

Que tal se eu gozasse os feriados a que tenho direito? O dia de Portugal, o Santo António, o São João e todos os outros, religiosos ou laicos? Parece mal renegar às origens, defendo. Próximo sábado é dia de Portugal. Mas os gringos não sabem que é 10 de Junho. Que tal 9 de Junho? Ou melhor até, 8 de Junho... permitiria ensinar-lhes o conceito de ponte. Estes americanos têm certamente muito que aprender. Andam tão entretidos com guerras e guerrinhas que nem sabem as melhores formas de boicotar a produtividade dum pais. Mas nisso nós podemos sempre dar-lhes umas lições. E já agora, e a propósito de um outro post, podíamos também exportar o Alberto João. Com ou sem pinga. E o Scolari...

terça-feira, maio 30, 2006

Quando entrei no elevador do hospital, estava um funcionário com uma bicicleta pela mão. Saiu no mesmo piso que eu e toca a colocar-se em posição para arrancar e pedalar pelos corredores do hospital!


Para acabar com os mails tontos e pindéricos sobre a paz, felicidade, amizade e do segredo para fazer bem à humanidade.

Descubro Mark Kozelek e Nick Drake. O primeiro vem cá tocar próximo sábado. Juntamente com os Tarnation. Estão convidados!



A recordar... Infelizmente os portugueses e os espanhóis foram os primeiros. Uns séculos antes. E ainda agora pagamos por isso. Ao expulsar as elites, os pensadores e homens da ciência, deixamos o "desenvolvimento" nas mãos da pequena burguesia, com a pequena intriga e o ciúme a virem depois ao de cima!

É prática frequente, quando alguém quer desembaraçar-se de algo que não precisa, deixar a mercadoria na rua. Assim, já vi secretárias, dois pares de esquis e o Alexandre, um dos portugueses que conheci, tem inclusivamente um monitor de computador, de ecrán plano, bastante bom, que encontrou numa qualquer esquina.

Hoje entrei numa loja na Chinatown apenas para comprar uma tampa para minha objectiva e material para limpar a objectiva. O funcionário era israelita, gabou a máquina, vendeu a tampinha, limpou ele a objectiva e vendeu-me um filtro polarizador que me obrigou a colocar, uma vez que a máquina é tão boa e "é só para experimentar, sem compromisso". O palerma do português que entrou para gastar 5 dólares, saiu sem 65 dólares do bolso e com um filtro polarizador de uma marca que nem aparece na Web... Este ter vergonha de não saber dizer que não implicou que mais um vez fosse levado... É caso para concluir, em português do Brasil, otário...

segunda-feira, maio 29, 2006

Os americanos ainda estao na fase das meias brancas...

Hoje e' feriado. Estou na loja da Apple. Por isso escrevo sem acentos ou cedilhas. 'A minha frente estao 2 mormones, todos engravatados e com um calor insuportavel. Gostava de saber o que pesquisam na Net. E o que encontram. Tem o cartao com o nome escrito no nosso alfabeto e em 2 orientais...

Alberto João quer saber se a Madeira tem condições para ser auto-sustentável. Penso que todos os nós respondemos aliviados que sim... Que tem excelentes condições para ser sustentável e sobretudo auto-governável. Logo... FAçA FAVOR

Variações






Mapa do centro de São Francisco. As ruas marcadas a vermelho mais escuro são aquelas que apresentam declive superior a 18 graus...

domingo, maio 28, 2006

Sábado para domingo passado com o Munich de Spielberg... Valeu todos os minutos, que são muitos.

Sou a favor da avaliação dos professores pelos pais. Da avaliação dos pais pelos professores. Dos pais pelos filhos. E dos filhos pelos pais... 


Momento alto da semana: ver pela Net a Maria a fazer de índio...


Esta última imagem ficou para o fim... Trata-se de um pequeno protesto, num muro de uma rua turística. Feito com miniaturas de brincar e um pedaço de papel, num recanto difícil de reparar. Notei apenas porque um outro alguém tirava uma fotografia.

Muitas vezes nós europeus, do alto do nosso pedestal de séculos de história, de pensadores ou filósofos, escritores ou artistas, escarnecemos dos americanos e da sua incultura, do seu fanatismo religioso e do seu puritanismo e hipocrisia. A própria caricatura daquilo que é o presidente Bush dá um excelente exemplo disso mesmo.
Mas ao mesmo tempo a sociedade americana é muito menos amorfa, muito mais politizada, em que se discutem inúmeras questões para além dos alegados temas fracturantes como os estafados "regionalização" e "aborto". É uma sociedade em que muitas pessoas se mobilizam para causas, que procuram na rua campanhas de sensibilização ou assinaturas para um qualquer manifesto, mais ou menos importante, idiota ou talvez não, mas que faz pelo menos algumas pessoas mexer, lutar, discutir...

Serve isto para voltar ao meu tema recorrente de estarmos (portugueses e europeus) algo cinzentões, amorfos e tristonhos, centrados em nós próprios, sofrendo dalgum "umbiguismo"...

















Dia muito ventoso mas extraordinariamente bonito. Um passeio de carro que se arrastou por horas, à volta da cidade. E que permitiu ver imensa coisa que ainda estava por descobrir.

Como podem ver as imagens falam por si, penso. Muito embora exista uma mancha persistente no canto superior esquerdo, irritante quanto baste e resultante de uma objectiva algo suja.

Vi pela primeira vez alguém sentado na paragem do trolley, agarrado a uma televisão de média dimensão que estava a transmitir... Não me consegui aperceber donde surgia a energia,"eppur si muove"

sábado, maio 27, 2006

Sinto-me mal por não estar a escrever tanto. Mas não tenho tido muito tempo...

Hoje reencontrei o Pinto Leite. Mais moreno e mais magro. E uns amigos de San Diego. Um argentino,um brasileiro com cara de japonês e uma rapariga da malásia. Fomos jantar a um restaurante chinês baratucho... e acabámos no Vesúvio. O personagem da noite era sem dúvida um velhinho com mais de 147 anos, em cada perna, com barbas à Pinto da Costa da medicina legal, branco cadavérico, completamente embriagado, que como estava em desequilíbrio permanente, mesmo sentado ao balcão, mal saiu do bar / pub / café / boteco (como queiram...) aterrou no meio da rua, abrindo o golpe occipital previsível... O que fazer? Voltou ao bar para se ver se com mais um copito recuperava o equilíbrio... e deliciou-se enquanto a funcionária lhe fazia o curativo. Malandro!!!

sexta-feira, maio 26, 2006

Alegrias ou tristezas, numa freguesia de Felgueiras!


Única - Expresso

«Ai, aleijei-me!», exclama Miguel, o mais velho, interrompendo o pesado silêncio. Veste uma «t-shirt» do campeão, o «fê-quê-pê», e sonha mostrar ao mundo os seus dotes com o esférico. Um dia. Por enquanto, são as suas mãos esguias que trabalham no duro e não os pés de artista. «Foi a agulha que me picou». Miguel nem precisava de explicar. A família, reunida em torno da pilha de sapatos com carimbo da Zara, desata à gargalhada. Já estão habituados aos descuidos do miúdo de 14 anos. «Ele é quem tem menos jeito para isto. Saiu-me cá um preguiçoso», graceja a mãe, Aldina, cabelo eriçado, roupa desbotada, pele engelhada e mais envelhecida do que os trinta e poucos anos do bilhete de identidade. Na idade deles, também ela cosia sapatos, numa fábrica em Felgueiras. Ela, a irmã, a cunhada, a prima, a avó…

A família da freguesia de Felgueiras reúne-se em torno da pilha de sapatos de camurça para homem com carimbo da Zara, cadeia espanhola de pronto-a-vestir

O sorriso morre-lhes nos lábios com rapidez. Só o latido do Benfica, um rafeiro que guarda as galinhas e os gansos do quintal, os consegue distrair da tarefa penosa e repetitiva.

"Sejam bem-vindos, australianos"

Aclamados em Timor. Fica a faltar o brasileiro Sérgio, vítima de uma guerra estúpida, perdoem-me a redundância, no Iraque.

quinta-feira, maio 25, 2006

Ontem, enquanto caminhávamos no regresso, depois de uma cerveja no café Vesúvio, do qual já mostrei fotografias, um pedinte pediu uns trocados... A Rochele aprestou-se a responder que não... Pois muito bem. O homem desatou a cantar aos berros a capella "she's the boss eii she's the boss oouu..". Não recebeu um tostão, mas merecia!!!

Vi hoje um figurão sentado na sua bicicleta à espera do sinal verde. Até aí tudo bem. O estranho é que era amputado do membro inferior direito... Estão a imaginar? Só que nem eu nem o António tivemos lata para ficar à espera que o personagem voltasse a pedalar. Como???

Quizz Radiológico:

Quem é que achava que o BI-RADS era uma radiologista?

Quem é o interno com tiques de especialista que acha que os outros podem escrever por ele? Parece que sempre fazem falta uns internos mais velhos para colocar algumas pessoas na ordem...

O MESSIAS...


Na sala de leitura da secção de abdominal existem 2 novos exemplares. Um chinês de Hong Kong, de 26 anos, que terminou recentemente o curso de Medicina na terra natal e que está cá apenas um mês para um pequeno projecto de investigação. Mas que lhe tem valido imenso trabalho e provavelmente a publicação na AJR... se eu não rejeitar!!! O outro é uma senhora já entradota, natural da Nigéria, mas actualmente na Arábia Saudita. Vem fazer um estágio de uma semana... Vai de certeza daqui, como escrevia a outra, com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, mas enfim...

O Victor Yeung é realmente simpático. Fez os estudos pré-licenciatura aqui nos States, numa das referências da área das ciências médicas, John Hopkins, Baltimore. Tenho almoçado com ele e com o André, um brasileiro que vai estar cá durante um ano, com perspectivas de prolongar-se...

Assim, aproveitando uma conversa em que o chinesito, de uma simplicidade e ingenuidade desarmantes, defendia que a maioria dos ocidentais não conhecia verdadeiramente o que é comida chinesa. Combinámos então ir à Chinatown comer à origem. Com a condição que qualquer bicharoco como cão, gato, rato, ratazana, cobra, morcego ou qualquer outro animal rastejante estaria fora do cardápio...

Quando chegámos ao restaurante estava lá a mãe dele!!! Jantamos com a senhora, que nos pagou ao jantar e à Rochele, mulher do André. E foi muito, mas muito bom. Sem comparação com qualquer sucedáneo prévio. Excelente. Comida do melhor nível. Da sopa à sobremesa.

Segundo explicações do Victor, a maioria dos pratos chineses leva muito tempo. E muito trabalho. É cozinhada por partes. Em etapas. Os alimentos ora são cozidos. E depois parcialmente assados. Acrescentam-se umas especiarias. Um molhes. Frita-se. Volta-se aos molhos. E assim por diante ou vice-versa. Tudo num processo laborioso que não se compadece com os restaurantes a que estamos habituados. VALEU... DOH JE