Prémio Blasfémias
Via Blasfémias...
Os homens casam porque as mulheres são bonitas. As mulheres casam porque um dia serão feias.
Escritos de um alien como dizem nos serviços de imigração em São Francisco. As peripécias de um radiologista em projecto por esta cidade algo especial da Califórnia.
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Os homens casam porque as mulheres são bonitas. As mulheres casam porque um dia serão feias.
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Rui Cunha
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1:32 a.m.
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O JPP dá uma no cravo e outra na ferradura. Eu prefiro o cravo. A putativa pieguice. Isto é, prefiro a minha memória de criança. Terá sido seguramente o livro que mais vezes li. E reli. E terei vertido uma ou outra lágrima. Com as histórias do mês. Com a dignidade da pobreza. Com a solidariedade. Com as injustiças. Com a doçura e crueldade das crianças. Não sei se é piegas ou não. Sei que ajudou a formar-me. A balizar alguns princípios. Será um livro a oferecer à Maria. Ou se ela tiver tempo, a ler-lhe antes de adormecer. À atenção dos meus pais.
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Rui Cunha
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7:02 p.m.
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Não, não estou em estágio, em contenção verbal ou blackout. Ainda não me dediquei às mezinhas nem às promessas a Nossa Senhora... Não estou minimamente confiante mas também não estou pessimista. Espero apenas que este fim de semana continue mal habituado. Afinal de contas no futebol português são 11 contra 11, correm todos atrás da bola, muda aos 45, acaba aos 90 minutos, discutem todos com o árbitro, simulam lesões, fingem agressões e, no final, ganha o Porto.
Tenho andado é em lua de mel. É recorrente e cheirará a déjà vu para quem acompanhou as crónicas em São Francisco. Voltei a ter uma bicicleta. De empréstimo. Por duas semanas. E volto a sentir o prazer de pedalar, agora por Manhattan, ao longo do rio Hudson e com o pôr do sol como cenário no Riverside Park. Ou percorrendo as ruelas de Chelsea e das Village, ao entardecer, entre estudantes e namorados que se deixam ficar pela Washington Square ou avançam para as esplanadas em redor. Ou finalmente pelo Central Park onde sou furiosamente ultrapassado pelos profissionais do ciclismo.
A bicicleta dá uma estranha sensação de liberdade. Acrescenta mobilidade a quem quer visitar, possibilita calcorrear mais quilómetros, bater mais ruas, ver mais gente com um esforço mínimo. Dir-se-ia que está bem adaptada aos preguiçosos. Ver mais por menos. Ainda para mais com a sensação que se faz exercício físico. Atenuando a culpa de quem é guloso... E potenciando o apetite de quem tem que fazer o jantar logo a seguir!
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Rui Cunha
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12:01 p.m.
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Rui Cunha
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5:23 p.m.
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Quando escrevi milhões de almas solitárias não pretendi ceder à tentação poética. E sabia o risco de parecer pindérico. Nestas cidades gigantescas a solidão é enorme. Brutal, mesmo. Pela dimensão da cidade, pela agressividade competitiva do emprego, pela ausência de vínculos sociais, pela inexistência de raízes, pela fragmentação das famílias.
E numa sociedade americana de imigrantes e migrantes, que vivem em terras diferentes daquelas onde estudaram e daquelas outras onde nasceram, este fenómeno torna-se mais visível.
Acresce a isto a pressão social da busca pelo sucesso. E o sucesso na América é o sucesso pessoal. É o Santo Graal desta gente. Ou se é bem sucedido ou não se é ninguém. E não dá sequer para olhar para trás com risco de ficar fora da corrida. E é a pressão dos media e da sociedade para se ser saudável. Elegante. Bonito. Com riso e pele imaculados. As pessoas não podem ser elas próprias. Têm que ser o que a sociedade espera que sejam.
E a tudo isto respondem com produtividade. E rentabilidade. E uma carapaça de simpatia de espessura mínima. Que os leva a ser agradáveis e corteses nos primeiros cinco minutos. Mas que se esboroa logo a seguir, depois de esgotados os “awesomes” e os “amazing” da praxe.
Talvez por isso proliferem as empresas de encontros ou “datings”. E meio mundo se refugie nos auscultadores e óculos de sol. Seja evidente a dificuldade em lidar com a proximidade nos elevadores ou metro. Haja uma relação quase humana com a cachorrada, que tem direito a guarda roupa completo, hidroginástica e sessões de relaxamento. Haja frenéticos a consultar o email em todo o lugar público, quem vá no autocarro a ver televisão e quem esteja a jogar jogos de computador nos cafés.
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Rui Cunha
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1:12 p.m.
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O clima é instável, o mar gelado, a terra pobre, as cidades desfiguradas, a gente dura mas hospitaleira. O bacalhau cada vez mais caro, o vinho também. Mas é tudo o que tenho e o que espera por mim. Ás vezes, sabe bem regressar. Outras, apetecia era ficar para sempre lá fora – mas nem vale a pena tentar.
Gonçalo Cadilhe - Única, Expresso
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Rui Cunha
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2:04 a.m.
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Não há silêncio em Nova Iorque. Até podem existir silêncios mas não silêncio. Permanece um clamor permanente, denso, uma tensão, um bruaá, sons dispersos, carros, maquinaria pesada, passos, correrias, sirenes, muitas sirenes, construções, gemidos, gritos, timbres profundos, cavos, roucos, estridências múltiplas, música, desafinações, ruído, buzinas.
Mesmo nestas noites de quase Verão, em que uma película de suor se cola à pele, o corpo cansado clama por uma cerveja e as janelas abrem-se à cidade, suspirando por uma aragem impassível que se arrasta, trazendo apenas um turbilhão de reverberações através do ar estagnado, lembrando o resfolegar tenso de uma cidade inquieta, viva, que tenta aconchegar os milhões de almas solitárias.
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Rui Cunha
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8:15 p.m.
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Foi noite de Carnegie Hall. De bilhete oferecido. No galinheiro. Para ouvir Dulce Pontes. E os seus solos algo exagerados, com busca pelos agudos, a mostrar potência vocal. E pela opção de insistirem na reverberação ou eco da sua voz. Apesar de tudo valeu. Pela alegria do emigrante português. Pela admiração sincera de alguns italianos e espanhóis. Mas sobretudo pelas músicas de José Afonso. Que por muitos arranjos ou devaneios, estão sempre à altura.
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Rui Cunha
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12:24 a.m.
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Já escrevi sobre alguns dos tiques e manias de um dos radiologistas com quem mais gosto de estar. Com ele a animação é permanente. Está sempre em cima da jogada. Pelo humor, pela espontaneidade e pela diferença. É judeu. Como quase todos. Um solteirão de quarenta e poucos anos. Bisneto de uma antiga actriz húngara. De teatro yiddish. Que no início do século passado terá viajado pela Europa. Com várias conquistas. Fama e proveito.
Ouvir um judeu falar da família, de tudo o que anteceda o Holocausto é raro. Segundo me disseram. Falam que são originários da Ucrânia, Polónia, Israel, Alemanha e pouco mais. Não sei se não gostam de falar ou recordar.
Penso que recordar, recordam sempre. Aliás não deve haver povo com a memória familiar e colectiva dos judeus. Algo que não deixo de considerar. Li há poucos dias algo do antigo rabino de Lisboa e das chaves que a família passava de geração para geração. Descendente dos antigos judeus expulsos pela a cegueira da Inquisição, a sua família foi sempre recordando o passado e alimentando a história. E de lugar para lugar, buscavam sempre a antiga casa lisboeta. A casa da qual guardavam simbolicamente as chaves, transmitindo-a sucessivamente. E mesmo quando pequeno e ainda longe de pensar que alguma vez voltaria a Portugal a sua avó tratava-o ternamente por portuguesinho.
Por isso ainda apreciei mais o almoço. Sentado à mesa de uma lanchonete. O que é um luxo nesta cidade. Mas o homem queria mesmo falar da avó. E das novidades que soube nestes últimos dias. Um investigador italiano contactou a irmã, inscrita num daqueles sites de genealogia. Queria saber mais da história do apelido, vínculos, relações e histórias cruzadas. Algo que consubstanciasse o flirt que a linda senhora terá tido com um dos mais conhecidos escritores do século passado, quando passeou pelas ruas de Praga. Franz Kafka, era o seu nome. E sabendo estas novidades bombásticas, o médico passou a semana em investigações febris. Com base em jornais de época, artigos vários, alguns deles comprados pela Net, chegou a ver fotografias da bisavó, então figura de cartaz. E espera agora consultar um catálogo da Biblioteca de Nova Iorque. Como perguntava ontem, “É o mundo que é pequeno ou Nova Iorque muito grande?”
Mas parte da piada do almoço foi perceber que o dito médico pode ter herdado alguns dos genes de Kafka. Pelas suas manias e tiques. Pelo seu raciocínio tão brilhante como retorcido. Dum doutorado em física. Escola médica de Harvard. E atitudes verdadeiramente idiotas. Conta ele que quando mudou de apartamento, os porteiros terão descoberto que era médico. E toca a ter aquelas conversas das maleitas, as dores de costas, as cunhas para os amigos doentes. Ele quis que achassem que era um médico autista, daqueles do laboratório, que tem mais confiança com cobaias e placas de petri do que com doentes. Pretendia o anonimato e não que controlassem as suas entradas e escapadelas (!). Por isso começou a actuar como um débil mental. Entra sempre a olhar para o chão, olhos fixos, encostado à parede, com menear fixo, passos arrastados e nervosos. Finge que se assusta sempre que o elevador toca, anunciando a chegada. Mesmo quando quer saber do correio, pergunta algo de inteligível, tipo co-co-rrrr-eeee. O disfarce idiota é tal que quando vai acompanhado para casa, tem que avisar antecipadamente as visitas. Estão a imaginar a cara dos romances de ocasião com aquele espectáculo todo. É caso para afugentar qualquer conquista...
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Rui Cunha
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11:31 p.m.
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Paris Hilton, a Lili Caneças cá do sítio, em versão nova, bonita e rica, foi apanhada a conduzir quando tinha a carta suspensa. Foi condenada a 45 dias de prisão efectiva. Segundo os advogados consultados pelos tablóides que me impingem no metro, a pena será excessiva para os standards da costa leste. E pouco habitual para o padrão da Califórnia, sobretudo se se atender que a pobre moça, não tem direito a percárias nem a comutação da pena por bom comportamento. Algum juiz que deverá estar farto do espalhafato da senhora, rainha do jet-set cujo ponto mais alto na carreira terá sido a difusão pela net duns vídeos hardcore.
Surge agora um movimento cívico (!) dos seus fãs mais assolapados que pretendem sensibilizar o Robocop, vulgo Governador da Califórnia, para alterar o destino da colunável. Mas o argumento não se baseia em qualquer injustiça, severidade, ou erro processual. Ou pela sentença ser demasiado exemplar. Segundo mais de 900 desmiolados, o erro é enclausurarem tal beldade. É que a vida é tão cinzenta e triste que quarenta e cinco dias sem a beleza platinada da senhora, tornam o dia a dia mais triste!!! Importam-se de repetir?
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Rui Cunha
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12:36 a.m.
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Os Cunhas lá foram. Aguardam-se mais visitas. Esperam-se novas amizades. Tenta esticar-se o tempo ao máximo, mas ele velhaco, foge-nos por debaixo dos pés, por debaixo do sono. Nem a miragem do Central Park, das moças bonitas me consegue afastar da atracção fatal que é qualquer colchão, um sofá, pelo fim de tarde.
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Rui Cunha
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9:18 p.m.
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É o mundo pequeno ou Nova Iorque tão grande que torna tudo o resto pequeno? Talvez assim se expliquem algumas coincidências. Como conhecer num qualquer recanto portugueses amigos dum colega da primária, da Quinta da Azenha. Ou conversar com um venezuelano, amigo dos bancos de escola dum radiologista português, nascido em Angola, criado na Venezuela e já na altura um rabo de saias... Já sabem de quem falo. Chama-se Villalobos. Já o avisei que vão encontrar-se em semanas.
Tanta gente, tanta gente e afinal de contas, tudo espremido, conhece-se meio mundo.
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Rui Cunha
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8:18 p.m.
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Um pedinte em plena hora de ponta, encosta-se a uma coluna do metro.Sem alaridos ou falsos alarmes. Treme, afasta as pernas, encosta a cabeça ao poste e urina-se. Sem contemplações. Um cheiro pestilento e baço entranha sem pedir licença. Da sua mão direita, cerrada, tensa, pendem um crucifixo e um terço...
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Rui Cunha
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10:47 p.m.
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Seguia hoje em passo rápido entre dois hospitais. Acompanhava o egípcio que ofegava mais do que eu. Tentei fazer conversa, algo em que sou um imbecil encartado. Falei então como banalidade que levava umas calças de ganga, algo que não tinha visto nenhum médico de cá fazer. Não que queira ser igual a eles. Mas não pretendo necessariamente parecer diferente. E o jovem começou então com uma dissertação pontuada por zis ou zas, que é a única forma que ele sabe de começar qualquer palavra inglesa. Desliguei portanto. Só para despertar com o remate com que coroou a conversa, “Pois, nós os Europeus” Como? Importa-se de repetir? Lá por que um César terá tido um fraquinho pela Cleópatra...
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Rui Cunha
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11:48 p.m.
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Não, não é nenhuma paisagem bucólica da Toscânia. Até porque faltam os forçosos ciprestes. Mas são claustros autênticos. Do século XII, XIII, XIV. Românicos, góticos, neo góticos. Tudo aquilo que o dinheiro filantrópico pode comprar. E importar peça por peça. De catedrais ou igrejas abandonadas pela Revolução Francesa. Destruídas pela Guerra Civil Espanhola. Vendidos ao desbarato por agricultores italianos arruinados. Esses sim da Toscânia ou Venetto. Fazem agora parte do espólio de Arte Medieval do Metropolitan. Transladados pedra por pedra. Acrescidos de altares, crucifixos, paramentos, tapeçarias e outras peças arte sacra. Transformando tudo num museu que se encontra perdido na extremidade norte do Harlem...
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Rui Cunha
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11:35 p.m.
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Sosseguem os críticos do Expresso. Afinal de contas este é um jornal light. Sem grandes adiposidades. Quando comparado com a edição de domingo do New York Times. Um sem número de suplementos. De cadernos publicitários. Adendas. É um jornal ao quilo. Onde se fala de tudo e de nada. Como sobre a justiça ou injustiça das contas de restaurantes partilhadas, em que uns pagam pelas excentricidades de poucos! E em que sociólogos e matemáticos debatem como é mais fácil manter as contas finais sob controlo se a festa tiver menos de 10 compinchas... É o pragmatismo americano no seu extremo...
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Rui Cunha
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12:25 a.m.
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Um juiz americano (Washington) processou uma pequena lavandaria. Por um par de calças. Que teriam estado perdidas durante 3-4 dias. Faziam parte dum fato de 1000 dólares. Os desgraçados dos coreanos têm agora que lidar com um pedido de indemnização que ronda os 65 milhões de dólares. Claro que há 2 anos que não têm sossego e ponderam regressar à Coreia. Lá se vai o sonho americano por água abaixo. Por causa dum louco. Há movimentos cívicos de apoio aos infelizes. E que querem destituir o juiz. Valha-nos isso... Se ele for destituído pode sempre apelar ao Supremo Tribunal de Justiça português. Na sua aleatoriedade ainda ganhava a lotaria.
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Rui Cunha
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2:02 a.m.
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Ganhará provavelmente ele. Ela é muito fraca. Mas não consigo esquecer as declarações de extrema direita dele, enquanto ministro do Interior. Ele será mais Liberal. Ela adepta do modelo francês que paralisou a França e a Europa com um Estado social asfixiante. Basta ver a percentagem do orçamento europeu que vai para subsidiar a agricultura e, particularmente, os agricultores franceses*.
*Lembrando que a ausência desses subsídios para produzir (ou não produzir) seria uma das medidas mais revolucionárias para permitir a entrada de produtos agrícolas dos países em desenvolvimento. E levar a um crescimento da sua economia. E do resto, como é bom de ver... Mas isto de ser socialista ou liberal geralmente é só para um dos lados!
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Rui Cunha
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1:39 a.m.
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Nada se perde. Tudo se transforma. Tudo serve de lucro. Se quiserem comprar o New York Times por metade do preço é só... esperar pelo dia seguinte. Já agora atrasa-se o calendário um dia e tudo fica bem. No final do mês faz a diferença.
Cão com camisola, gorro, enfeites, penteados vários, coleiras fashion já tinha visto. Agora com sapatos? Ou sandálias ou bota? Nem sei bem descrever. Só sei dizer que eram quatro...
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Rui Cunha
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9:11 p.m.
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Não foi em Portugal, Brasil ou numa qualquer república das bananas. Foi em Nova Iorque. Manhattan. Quase no seu epicentro. Em Times Square. Durante horas o apartamento 17G ficou sem luz. Foi cortada. Apesar dos milhares de dólares mensais. Alguém não pagou a conta. Senhorio ou imobiliária. E a imbecil desta última vem agora dizer que houve qualquer mal entendido e quer que paguemos uns 100 dólares. Por este mês. Como uma esmola. Aldrabões! AGARRA QUE É GATUNO!!!.
Já sabem. Se precisarem de carregar o telemóvel, o computador, manter a arca frigorífica a congelar em pleno, usar os desumidificadores, utilizar simultaneamente na potência máxima o ar condicionado e aquecimento central, usar o forno vazio, manter as lâmpadas sempre a carburar... venham cá ter. Já ofereci a energia do apartamento a todos os condóminos. Faltam agora umas centenas de metros de cabos para alimentar a rua...
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Rui Cunha
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1:55 a.m.
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3 exemplos do que pode ser qualidade de imagem numa RM 3T. Apreciem a definição da cartilagem (e a condromalácia rotuliana). Sim, o aparelho é Siemens! Semelhante ao do HSJ. Talvez a culpa seja dos doentes. Dos joelhos dos doentes. Da humidade. Do calor. Das antenas. Da falta de antenas. Dos gradientes. Dos artefactos. Dos protocolos. Dos médicos. Do campo magnético. Da sala. Do isolamento. Do hélio. Dos auxiliares. Do grego. Do físico. Da mesa. Da Universidade Independente. Do Carmona Rodrigues. Do Sócrates.
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Rui Cunha
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10:57 a.m.
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Para os melómanos ou nem por isso... Precisava dos Pogues de Whiskey in the Jar. A versão a solo... que não a mais difundida, cantada a duas vozes com os Dubliners. A Gerência agradece - ruihsj@gmail.com
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Rui Cunha
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1:46 a.m.
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Rui Cunha
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10:03 p.m.
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Em Junho do ano passado escrevia:
"Os Cunhas séniores preparam-se para descolar. Durante quase três semanas vão aterrar numa cidade de clima esquizofrénico, pululada de gente muitas vezes estranha, com uma oferta cultural extraordinária, com mais subidas e descidas por km quadrado que qualquer outra cidade que conheceram, com imensos cafés para descansar das passeatas e observar os autóctones (será que há mesmo locais ou em Frisco somos todos locais?). Vão poder espantar-se com as vistas da baía e da Golden Gate, andar de eléctrico, passear de bicicleta pelos parques... e, regra geral, deambular de uma forma completamente tranquila numa cidade que em termos de segurança não oferece qualquer risco.
Sejam bem-vindos... Cá os esperamos. Os brasileiros do grupo já suspiram pelo prometido bacalhau... Os portugueses pelo vinho lusitano."
Pois bem, estão cá outra vez. Saudosos como sempre. Novamente bem-vindos.
Provavelmente não vão criar o mesmo vínculo que estabeleceram com São Francisco, com a sua familiaridade, ambiente de bairro e com a generosidade dos amigos que fiz (emos) por aquelas bandas.
A passagem por estas margens vai ser mais efémera. Não menos viciante. Talvez esta cidade se queira assim mesmo. Como um risco de cometa. O fogacho de uma acendalha. A urgência dum parto. Pela sua intensidade. Pela sua violência. Pela sua dimensão. Pela mistura espantosa de excessos. De carnes, raças, credos, cheiros, cores, ruídos, sons, esperanças, desilusões, cansaços, expectativas. Por isso, insisto, se queira assim mesmo, consumida com moderação, sorvida em curtos tragos antes que nos consuma ela própria...
Aqui vão ser atropelados por muita outra coisa. Pela exuberância da diversidade, seja de gentes, de peles, de aromas e fedores... Pela grandiosidade e hospitalidade do Central Park. Pelo Lincoln Center. Pelos museus a outra escala. Pela agitação e rodopio febril dos fins de tarde. Pelas as vendas de rua, os táxis, as buzinas constantes, o ruído, a estridência injustificada e histérica das sirenes. Pela luminosidade pornográfica de Times Square. Pela sofisticação do Upper East Side e Soho. Pelo ambiente familiar de Chelsea e Greenwich Village. Pelo lixo e dejectos de milhões. Pela jactância da 5a avenida e edifícios Trump. Pelos empurrões e congestionamentos nas vias pedonais. Pela agressividade do consumo, da oferta, da publicidade. Pela exaltação do mais forte. Pela luta pela sobrevivência. Pela a imponência do betão, do ferro forjado, dos grandes volumes em pequenos espaços. Pela delicadeza do Chrysler. Pela impetuosidade sôfrega das milhares árvores e plantas que decidiram florescer em conjunto...





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Rui Cunha
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2:54 a.m.
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