quinta-feira, agosto 24, 2006

Big Sur





Costa entre LA e São Francisco

quarta-feira, agosto 23, 2006


















terça-feira, agosto 22, 2006

Prémio Não É Escritor Quem Quer

Agradeço os elogios aos últimos posts, mas isso representa uma grande responsabilidade. Que enjeito...
Não me aventurarei por trechos mais literários...

Falta preparação. Inspiração. Capacidade. Falta sensibilidade. Falta tempo, paciência e dedicação para deixar os textos repousarem, levedarem, crescerem quase por si, para depois serem aparados, limando as suas arestas.

Pode até haver esforço ou emoção, mas se faltar o resto, fica apenas a tentativa bacoca e despudorada de sonhar alto. Quando a passada é larga demais, o risco e a própria queda são necessariamente maiores.

Sou obrigado a optar por uma forma mais modesta de tentar descrever o ambiente geral ou particular da cidade e das suas gentes. E como este, e só este, português de gema se adapta a essa realidade. Sem grande engenho ou arte, sem grande subtileza ou depuração.

Sendo apenas eu próprio, imerso neste microcosmos em que aterrei.


Adenda:
Não se pode dizer que demore muito a escrever os textos. É uma constatação razoável, bastando para isso atentar para os erros dactilográficos, discordâncias de género, vírgulas e espaços pouco precisos. Mas isso faz parte dos 10 ou 20 minutos que dedico à execução da empreitada (por post).

O que me demora mais tempo é escolher o que vou escrever. Vou muitas vezes na rua encabulado, com algum pensamento recorrente, determinada característica que quero ver descrita e um ou outro personagem que pretendo verter para o papel. Isso é que geralmente me dá trabalho e obriga a algum método. Domingo passado, por exemplo, o meu irmão estranhava o meu silêncio. Esse aparente torpor resultava certamente da sonolência por ter estado a escrever até as 3 da manhã e do pouco café, mas também correspondia à génese do que puderam ver escrito depois... Outras vezes surge de rajada, de forma quase espontânea, natural ou imprevista, num cruzamento ou esquina, enquanto passeio de bicicleta, cabelos ao vento.

É verdade que nos últimos textos tenho tentado dar mais atenção à forma. À moldura. E concordo que muitas vezes é igualmente importante o que se diz e como se diz. Mas depurar a forma dá muito trabalho. É muito exigente. E esgotante. Obriga a uma releitura sistemática. Pequenas alterações. Grandes alterações. Apaga. Volta a escrever. Muda. Deixa ficar. Acrescenta pequenas nuances. Modifica a forma como a frase respira. Mais rápido. Lento. Assim não gosto. Está banal. Está arrevesado. Frases curtas. Incisivas. Frases longas. Marteladas. De perder o fôlego.

Com o blog e com todos os que têm a paciência para me ler, reaprendi o gosto pela escrita. Já há muitos anos que não escrevia. Apenas pontualmente. Gosto de escrever. Dá-me prazer. Mas dá também trabalho e obriga a uma disciplina e rigor que não estou habituado. E obriga-me sobretudo a estar desperto, analisar para o que se passa em redor com outro olhar, tentando cristalizar pormenores, pessoas, conversas, paisagens ou sensações.


Nota 2. Embora isto não seja uma corrida, um contra-relógio, tive a curiosidade de verificar a posteriori o tempo que coloquei a escrever a adenda. Foram 31 minutos. A escrever algo com o qual não estou propriament satisfeito. Paciência

Prémio Finisterra Deste Oceano Pacífico




Sábado conduzimos pelas costa a norte de São Francisco. Fomos até Ponta Reyes, um enorme braço de terra, que corre paralelo à costa, estando para lá da falha de Santo André. Assim, num terramoto de proporções bíblicas, irá com certeza fazer-se ao mar, como jangada de pedra.

A costa é lindíssima. Mas de uma beleza opressiva, depressiva. Desolada e despojada. Sem vivalma durante milhas e milhas. Vegetação rasteira, a tender para a monocromia, mar azul plúmbeo. Nevoeiro, muito nevoeiro, um céu zangado. Vento cortante. Que verga, tomba de forma impiedosa as poucas árvores teimosas. Corvos, abutres e outras rapinas voam em círculos. Mar de um lado e do outro. Às vezes uma ou outra casa, um celeiro, um curral. O farol inevitável, trezentos degraus abaixo de um pontão impressionante, de onde se avistam agulhões rochosos, também eles tristonhos, ameaçadores, quase negros, rasgando o mar... Estão cobertos em parte pelos dejectos de algumas aves, seguramente malditas, que se servem do poiso.

É nestes sítios frios, agrestes, duros, que um café sabe mais a café, no conforto de um sofá, protegido por um vidro, a ver um corvo pousar no varandim e os albatrozes a cavar no mar.

segunda-feira, agosto 21, 2006


Hoje lá vai mais uma parte de mim. Tentei driblar-me a mim próprio e por isso evitei o aeroporto. Uma forma de tentar facilitar as despedidas.

Custam sempre mais do que estamos à espera. Fico sempre com a sensação que ficou algo por fazer ou dizer. O que é sempre mais difícil com alguém que não exige nada. Só dá...

Prémio O que é a Nossa Casa?

Se tiverem a pachorra de analisar alguns dos meus comentários antigos, irão reparar que no início me referia ao sítio onde moro, como a "casa". Assim, com aspas. Parecia-me desajustado dizer cheguei a casa. Não era a minha casa. Era um lugar de empréstimo. Temporário. De passagem.

E nem fiz nada para tornar o 1223A da Segunda Avenida mais meu. Não mudei móveis. Não pendurei nada. Não acrescentei fotografia ou o que quer que seja. Não mudei a disposição dos diferentes objectos. Nada.

Limitei-me a deixar a minha desorganização insinuar-se pela casa, e quando muito, deixar o meu cheiro e um ou outro objecto pelos cantos.

A única coisa que realmente impus foi a minha música.

De qualquer das formas, de uma forma surda, imperceptível, sem querer, a casa foi-se impondo. E agora já posso dizer a minha casa. Continua a ser temporária, de empréstimo ou de passagem. Agora com uns toques da minha mãe, que conseguiu, naquela geometria muito própria das mulheres, acrescentar-lhe uns metros quadrados e decorar a janela que é um vitral com fotos da família.

Mas é minha. No fundo, acrescentei uma casa, àquelas que tenho.

E sem ter comentado, registei uma frase do meu pai, quando regressávamos de LA, ao chegar a um das ruas principais de São Francisco: É engraçada esta sensação de chegar a casa, a milhares de quilómetros de distância.

Neste momento posso dizer que esta casa é minha. São Francisco também é um pouco minha. Os amigos são também meus. E sei que vou ter saudades daquilo que vou deixar cá.

Mas a vida é mesmo assim. Uma pessoa recebe tanto mais quanto dá. Também perde mais. Mas só se perde o que se ganhou. E posso dar-me por contente.

Mulher de 133 anos, na melhor das hipóteses. Cabelo laranja, rarefeito. Muito pintada, daquela forma que já não se sabe o que é lábio do que é traço de baton, o que é sobrancelha... Tremor do tipo parkinsónico. Dificuldade em deambular. Mal humorada. Esta sujeita era apenas a motorista do metro de hoje à tarde. O metro que se recusava a avançar e esteve parado durante largos minutos à espera dos humores do aparelho ou dos caprichos da motorista. Que exigia aos passageiros que não se encostassem às portas. E saiu duas vezes do seu posto para fazer a inspecção ao Muni, no seu passo trópego e caricato.
Depois lá decidiu avançar para um dos túneis que necessariamente teria de atravessar. A uma velocidade comparável à sua marcha. Foram minutos largos para fazer umas centenas de metros. Não era possível andar mais devagar. Só parado mesmo. Depois do túnel, na primeira paragem, a senhora decidiu que não faria stop. Agora imaginem dezenas de pessoas à espera (até porque era dia de jogo dos Giants), a verem o metro a passar a uma velocidade ridícula, sempre na expectativa que estaria quase a parar e a darem mais um passo e outro e outro, e mais outro, a seguir a marcha imparável da carruagem, como que em procissão. Até que se aperceberam do embuste!!!

Eu e o meu irmão só nos ríamos. Ainda bati palmas quando vimos a luz ao fim do túnel, já depois de ter sugerido que a pobre senhoria deveria ter adormecido!!!

domingo, agosto 20, 2006

Prémio Há Coisas que Não se Agradecem...

Obrigado Rita. Pelo convite. Pelo jantar. Pela companhia. Pela amizade... Embora muitas coisas não sejam de se agradecer. Espera estar-se à altura de retribuir...

PS. O meu irmão também gostou muito do jantar

Prémio Não é Necessariamente Verdade...

"A religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela teríamos pessoas boas fazendo o bem e pessoas más fazendo o mal. Mas para pessoas boas fazerem coisas más é necessário a religião".
Steven Weinberg, prémio Nobel de Física.


Preferia dizer antes que infelizmente a religião tem as costas muito largas. E as pessoas muitos álibis.

Prémio Estão Convidados...

A minha proposta continua válida. Gostava de escrever este blog a mais mãos...
Estão convidados a escreverem o que acharem que se ajusta a este espaço, o que gostavam de ver debatido ou chamado a atenção... Pode até ser mais difícil conviver com a pluralidade, mas é seguramente mais aliciante. E até se pode dizer que se ajusta perfeitamente ao blog uma vez que São Francisco é, por certo, uma das cidades mais plurais e multiculturais do mundo.

Será muito fácil. O meu mail r.cunha@yahoo.com.
Basta escrever e enviar o que quiserem. Eu trato do resto. Ficamos todos à vossa espera. Não é difícil.

Ficam apenas proibidos de me enviarem daqueles mails do powerpoint com dizeres e imagens na maioria das vezes pindéricos e pseudo-profundos...

Adenda: Convêm acrescentar no hipotético mail que é para publicar no blog. Não vá eu postar o que não é publicável...

Adenda 2: E eu, se fosse um editor à americana, acrescentaria no final de cada post, naquela letra miudinha de companhia de seguros, numa série de claúsulas, que não me responsabilizava pelo conteúdo, forma, intenções, interesses, relações de causalidade, ligações partidárias, políticas, filosóficas, ideológicas, estéticas, empresariais ou quaisquer outras de cada uma das pessoas envolvidas no planeamento, elaboração, execução ou redacção do texto. Não fosse o diabo tecê-los e os moralistas também...

sábado, agosto 19, 2006

Prémio Rosa Choque


Continuando a enumerar as figuras de São Francisco...
Imaginem um homem de meia idade. Cabelo grisalho curto. Óculos de haste branca e lentes circulares cor de rosa. Camisa cor de rosa e florzinhas brancas, mangas de folhos. Laço rosa. Calça branca, pelo joelho, daquele tão justinho que obriga a subir o tom de voz várias oitavas. Meia rosa. Perna depilada. Sapatilha all star rosa, com atacadores...rosa e brilhantes incrustrados. Mochila às costas, muito cândida, qual cereja no topo do bolo, da Hello Kitty.


Estou convencido que dentro da mochila estaria um daqueles coletes fluorescentes que são agora obrigatórios nas nossas estradas. Daqueles cor de rosinha, que obrigam o polícia a gozar por lei durante 3 minutos...

A três quatro quarteirões da casa, passo de carro. Um homem nos seus quarenta anos. Cabelo e barba ruiva. Penteado tipo afro, frondoso. Calça de ganga e elástico preto em redor do joelho esquerdo. Está no meio da estrada. A fazer bolinhas de sabão... Sabe-se lá para quê!!! Talvez para comunicar com marcianos, exorcizar fantasmas, contactar o John Lennon ou parecer ainda mais atarantado que o Bush júnior. Se calhar ainda acredita que o Simão vai ser vendido por 20 milhões e aguarda o Pai Natal e suas renas. Que alguém lhe diga que ainda falta tempo para o Natal!!!

Domingo passado fui ao Sternogrove Festival. Um festival ao ar livre, num anfiteatro natural belíssimo*, em que o palco e a plateia estão rodeados por árvores e a malta leva manta, cadeirinha e farnel para desfrutar do início de tarde potencialmente excelente. Este ano já passaram por lá vários nomes conhecidos entre os quais Seu Jorge. Domingo foi ballet. Já tinha sido ópera, música pop, hip-hop ou jazz.
O problema é que estava completamente apinhado. E tivemos que ficar ao longe, vendo de esguelha através de muitas árvores, muitos ramos, muitas cabeças. Valeu a pena na mesma. Pelo ambiente de comunidade, de quase família. A certa altura sinto a cair-me qualquer coisa na cabeça. Olho para cima, para o pinheiro ao qual estava encostado. A Geraldine, uma das amigas de aqui, agarrava-se furiosamente à árvore, pois tinha estado muito perto de cair junto a uma vereda íngreme. Não tínhamos combinado qualquer ponto de encontro e ela nem me tinha posto a vista em cima antes. Coincidências.


* Fez-me recordar um concerto que vi, revi e revi da Tanita Tikaram numa ilhota perdida da Noruega. Andava no nono ano...

Ontem assisti a um concerto dos Devotchka. Estava esgotado. Eles estavam radiantes pois era a primeira vez. Uma banda indie de Denver, com influências do burlesco balcâ (a lembrar Kusturica), música cigana, mexicana e tudo o resto. O concerto foi bastante bom e houve 3 encores, uma clara anormalidade para os parâmetros habituais destes lados.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Estou de regresso. Depois de um descanso higiénico, uma pausa, volto, muito mais cedo do que contava.
Sentia já falta de escrever. De comentar, de dizer olá. E Mar d'Outubro, dos Sétima Legião resgatou-me do meu silêncio tristonho e acabrunhado.
Como certamente concordarão, é-me difícil estar calado. Nem que seja um pequeno comentário, uma pequena alfinetada, uma brincadeira mais ou menos venenosa, um cantarolar certamente desafinado, um barafustar, um remoque por vezes inconveniente, o que quer que seja.
Desculpem lá mas vão ter que me aturar. Afinal de contas eu aturo-me há muito mais tempo e sobrevivo.

Sétima Legião - Mar d'Outubro


Recebi ontem uma das melhores prendas que podia ter tido aqui em S. Francisco. Depois de uma breve troca de correspondência com o autor do Íntima Fracção, recebi um mail, com a música do genérico do programa.
Aquela música faz parte do meu imaginário há muitos anos. Recordo os domingos e aquela angústia pelo fim de semana que terminava e então, na cama, ligava o meu velho rádio da Sony, um daqueles cubos cinzentos com som anacrónico, para quase exclusivamente ouvir o genérico do programa. É absolutamente perfeito. Terrivelmente bonito. Mágico, misterioso ou místico. Com sons de flautas que me faziam lembrar as corujas ou mochos de qualquer bosque encantado. Foram muitas semanas que adormeci ao som do programa.

Não fazia a mínima ideia onde o Francisco Amaral tinha desencantado tamanha preciosidade. Nunca imaginei que estivesse tão perto... É uma música do primeiro álbum dos Sétima Legião, um grupo também ele dos meus tempos de adolescente. Julgo que a primeira vez que os ouvi mais a sério subia a rua Passos Manuel com o meu irmão. Ouvíamos a música num daqueles walkman antigos, do tamanho de meio tijolo. A minha primeira reacção foi dizer que não gostava. Mas ficou lá. Terá sido o meu primeiro grupo com uma influência claramente étnica, neste caso de origens celtas. Depois vieram muitos outros, e muita gente teve que sofrer com os meus gostos pela musica folk pura e dura. Pelas harpas, gaitas de foles, uilleann pipes e afins. Foi um universo novo que se abriu...

quinta-feira, agosto 17, 2006

Carta Aberta II

Não é fácil assumir o papel de blogger (é assim que se diz?), principalmente no teu blog. Por dois motivos. Por um lado porque colocaste a fasquia demasiado alta (se alguém pensa que vou dizer algo interessante e sem erros gramaticais pode gastar o tempo em algo mais útil). Por outro, porque tenho medo da crítica, irónica e pouco piedosa que mora dentro e fora do espaço, lá em baixo, para os comentários. Confesso que esta noite não vou dormir muito bem.

Mas achei que depois de nos teres animado a primeira conversa da manhã (e não só) durante estes meses todos (e já agora por causa do elogio que me fizeste no teu último post) merecias que ultrapassasse esta minha covardia, o que nem todos conseguirão fazer, e tentasse escrever algo coerente.

Por cá, como tu sabes, vai tudo (ou quase tudo) na mesma. Eu, o dr Nelson e o dr Gonçalves estivemos quase a suceder ao Co, mas como a professora, bem mais intransigente que o João Loureiro, não permitiu a rescisão de contrato, eles lá optaram pelo professor, o Rui Barros e o João Pinto. Portanto continuamos por cá. Lá vamos tentando discutir o futebol cá do burgo, mas sem ti (e sem futebol) a tarefa não é fácil. A propósito de uma discussão actual, não achas que o Jorge Costa é um gajo relativamente (João Pinto, Paulinho Santos, Veloso, Petit, Sá Pinto) inteligente? As opiniões por cá não são consensuais.

Houve, no entanto, algo que mudou nos últimos dias. Foi-se a última réstia da tua presença diária. O blog, ao longo dos meses, impôs-se com naturalidade. Já fazia parte do serviço e era sempre o primeiro a chegar (mais ou menos à mesma hora que o dr Gonçalves). E apesar de compreendermos que o blog neste momento já não seja assim tão importante para ti, percebemos que ele era importante para nós. Dava-nos um prazer que nem imaginas. Não imaginas o número de vezes que fui cumprimentado e cumprimentei com o “já foste ao blog do Rui”? Compreendo e aceito que o tenhas abandonado, mas foi muito bom (mesmo brilhante) enquanto durou…
O pessoal está com saudades

Um abraço

Miguel Castro

domingo, agosto 13, 2006

Carta Aberta

Disseste que davas os 2 flancos, mas enganaste-te... e muito. O que fizeste foi traduzir para português o que vai na alma daqueles, espero que muitos, que têm a sorte de ter uns pais como temos. Tudo é genuino, bem intencionado e gratuito. Inclui aí tudo o que se pode colocar desde momentos à volta de uma qualquer mesa com uma toalha suja até a melhor prenda materialista ou financeira que a carteira permite. Tudo. E o mais importante, pois claro, é a entrega, de ambos os lados, a momentos como esse que certamente viveste durante "A Visita".

Tenho mesmo muita pena que tenhas tirado aquele texto do blog. Foi o momento mais bonito e mais enriquecedor de tudo o que lá tinhas posto. Eu, pelo meu lado, fazia intenções de o ler "Again and again and again".
Tiraste-nos a melhor tradução que já te vi fazer e, da maneira que gostava de a voltar a ler, acredita que foi como me tirarem um bocadinho de mim próprio... É talvez como perderes um CD que encontraste e adoravas, mas não o encontras à venda.

Como reparar este dano? Eu só vejo uma maneira...

Um abração de força, de desejo de cada vez mais amigos e divertimentos por aí e, caraças, soubesse eu traduzir como tu, e tu ias entender-me... adoro-te e também eu tive que chorar com aquele texto. Não o deites fora. Mesmo que não o volte a ver... "VALEU".

Flávio Mota

quarta-feira, agosto 09, 2006

Chegou o mano. A casa voltou a encher-se novamente.
Durante os próximos tempos vou descansar. Vou apagar os holofotes, colocar-me no canto.
Vou estudar, trabalhar, terminar artigos e apresentações. Rever casos clínicos e assistir a conferências. Vou também passear. Deambular pelos cafés e restaurantes. Assimilar um pouco da cultura de São Francisco. Perder-me pelos cantos. Assistir a concertos, bater livrarias, fazer compras. Andar de Muni, eléctrico ou bicicleta. Ir a Berkeley. Sair com os amigos. Rir e fazer rir. Jantar fora. Ir ao cinema. Passear pelos museus. Subir a Coit Tower. Mostrar a cidade ao meu irmão. Mostrar-lhe o sushi, o Revolution Cafe, o Grove e o Ritual. Ler as notícias da bola, a coluna de opinião do Público e o Expresso. Simular que cozinho e deixar estragar as coisas no frigorífico. Colocar o lixo à porta pelo anoitecer das quintas-feiras. Tomar o pequeno-almoço matinal de fim de semana na Reverie. Deliciar-me com as Bagels. Vou continuar a ouvir a Íntima Fracção e o Vidro Azul. A almoçar com o André e a pandilha de investigadores da UCSF. Esperar pelo regresso do Alexandre, do António e da Karen. Jantar com Rita. Deliciar-me com o humor do Alexandre e com o bom o carácter do Cedric. Provocar a Sílvia. Conversar com a Marta. Sair com a Geraldine, o Vincent, a Laurence, o Iann e o Markus.

Resumindo, vou continuar a fazer tudo o que tenho feito. Mas ainda com mais vontade ou vigor. Again and again and again. Vou continuar com o meu mau feitio retorcido. Mas sem blog. Deixo-vos espaço. Um hiato higiénico. Uns instantes. Agradeço-vos sinceramente que me tenham aturado, comentado, incentivado ou brincado.

Não é um adeus. É um até já. Vou voltar ao blog para deixar o desejo de felicidades para uma das melhores pessoas que conheço que vai casar. E comentar o Burning Man.

Deixo de escrever mas mantenho o cordão umbilical. Sabem o meu telefone da casa de Frisco. O meu telemóvel. O mail. Vou continuar aqui, do outro lado do mundo, à distância de um telefonema, de uma carta, um clique, de um teclado ou rato, de um mail, do Skype.

Obrigado

Rui

E vou continuar a visitar todos os dias o Blog. Vou criar novos utilizadores. O Miguel, a Bárbara, a Lina e a Joana ficam os responsáveis do serviço por continuar o blog. O Pedro Ferreira, a quem tenho que prestar a minha homenagem por ser aquele que mais vezes me escreve, ficará com o papel do velho do Restelo. O Flávio fica responsável por ser a ligação com os meus amigos de berço. O João e o Hélder fazem as despesas do tempo do ICBAS. Vou mandar as passwords a cada um deles.
Os doutores JG e NM estarão de certeza à altura de abrilhantar com comentários.
Contem-me as vossas novidades. Arranjem novos pontos de vista. Discutam. Brinquem. Coloquem as fotografias que quiseram. Não vou interferir com a linha editorial que adoptarem..

Rui

Prémio Mas Estavam à Espera de Quê?

Os portista têm razões para celebrar... O treinador do Sonkaia, Ezequias, Jorginho ou Alan decidiu fazer as malas!!!

terça-feira, agosto 08, 2006

The Nothing - Micah P. Hinson

Durante o fim de semana passado conheci uma médica entradota de LA.  Internista/infecciologista. Procurava uma máquina de café que funcionasse num dos quartos de hotel. Até que lhe ofereci a minha para fazer um café. Colocou-se ela com os pés dentro do Nosso quarto e eu e os meus pais estávamos no jardim. E falou, falou, falou. Só parava para entrar no quarto e despachar uma caneca mais de café. E continuava.
 Queixou-se do sistema, de como ganhava mal, como era difícil ter que lidar com os advogados e processos, dos democratas dado que, apesar de ser "uma conhecida militante", o número 2 do Terry era uma advogado especialista em negligência médica, de como havia outras especialidades melhor remuneradas, que São Francisco era cidade muito cara e por isso LA era a opção possível, que só conseguia arranjar não americanos para trabalhar com ela pois mais ninguém estava para fazer clínica mal remunerada, que Dermatologia, Cirurgia Vascular e Plástica é que estavam a dar... 
Lamentos que estamos muitas vezes cansados de ouvir.
Não consegui fazê-la calar-se. Foi uma hora e meia de matraquear puro e duro. Até que se lembrou que tinha ido passar o fim de semana com o marido de uma amiga da faculdade, e que teria que "aproveitar" o tempo.
Despediu-se oferecendo-me uma maçã e um cacho de uvas. Será que tenho cara de quem passa fome?

Foi um fim de semana passado on the road. Por uma das estradas mais famosas dos Estados Unidos, a californiana nº1, que liga São Francisco a LA, através da costa.
Foi um fim de semana de emoções fortes. Viajamos 3 dias por uma costa lindíssima, espectacular. Torna-se repetitivo dizê-lo, mas agora têm os Cunhas séniores para o atestar. Já há muito tempo que não estava tanto tempo com eles. E conversávamos tanto. A viagem valeu sobretudo por isso.
Tentei oferecer-lhes a viagem, servir de cicerone, perceber os desejos, fazê-los sentirem-se bem. Espero que tenham gostado.
Eu gostei muito.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Venho agora do aeroporto. Fui com os Cunhas séniores. A partida é sempre difícil. O amor que eles têm mim e pelo meu irmão é excessivo. Mesmo sabendo que estou bem, que tenho amigos e gosto do que faço, partem com lágrimas nos olhos. Fiquei derrotado. Fico sempre com a sensação de não estar à altura. De não lhes dar o suficiente. De os mimar o quanto baste. E eles coitados, ficam sempre contentes com tão pouco. Basta-lhes geralmente umas migalhas.
Sei que têm muitos defeitos. E que o orgulho que têm por mim é claramente desajustado. Preferia que esperassem menos de mim em muitos planos.
Abdicaram de tudo, de eles próprios, por nós. Já lhes disse que não o deviam ter feito. E fecham os olhos aos defeitos dos filhos.

Este registo é o mais confessional de todos. Choro por que não me sinto à altura. Estou triste. Conseguimos descarregar os nossos problemas e as tristezas nas pessoas que mais gostam de nós. Somos mais brutos e injustos com elas, talvez, porque cobardes, sabemos que nunca se zangarão connosco.

Exponho-me por dentro e por fora. De um lado e do outro. Dou os dois flancos. Mas se um blog não serve para escrever uma carta de amor aos pais, para que serve?

sábado, agosto 05, 2006





Ele vem aí... Já falta pouco!

quinta-feira, agosto 03, 2006

Prémio Sabe Bem Receber Alguns Mails

Jantar entre portugueses. Oito. Eram os Cunhas que convidavam mas, como não tenho casa para grandes festas, pedimos "emprestada" uma outra de uma amiga. Novamente bacalhau. E entradas. E sobremesas. E vinho português. E boa disposição. Segue-se um comentário recebido por mail...

Olá Rui,
gostei imenso de ter lá em casa os teus pais. São de facto uns amores. Agradece-lhes por favor a janta soberba e a calorosa companhia.
Obrigada a ti por partlhares os teus pais, foi quase como ca' ter os meus.
Beijo
***

Para os interessados, a música do vídeo é Peace and Tranquility do(s) Roudoudou. Inevitavelmente encontrei-a no Íntima Fracção. Ou Vidro Azul. Enjoy.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Yosemite Alien



ou

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

Este Fernando Pessoa é extraordinariamente cruel. E não era católico com certeza. Não tinha o sentimento de culpa que judeus e cristão carregam como cruz. O mais provável é não cumprir um dever, ter livros para ler, estudar ser nada. Mas nada disso dá prazer. Antes culpa. Ou remorsos.

terça-feira, agosto 01, 2006

A UCSF procura jovens deprimidos. Para voluntários. Num estudo sobre os efeitos do antidepressivo Zoloft. Presume-se que estejam motivados. E deprimidos. Aceitam-se voluntários. Eu próprio indiquei o Pacheco Pereira após o que se tem passado com o Abrupto. E o Moretto.

http://www.blogger.com/img/gl.link.gif

Uma outra forma de ver o fim de semana, por alguém bem humorado... Humor germânico diga-se...

A forma mais fácil de ver será clicar no Start Slideshow